Corsan aproveita interesse por Eletrobras para desengavetar IPO

Corsan aproveita interesse por Eletrobras para desengavetar IPO

Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior

31 de maio de 2022 | 05h20

Oferta da Corsan deve alcançar R$ 1,5 bilhão na Bolsa    Foto: O Mensageiro

A Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), estatal gaúcha para água e esgoto, tirou novamente da gaveta seu plano de privatização, aproveitando o interesse que a oferta bilionária da Eletrobras está gerando no mercado. Assim como a elétrica, a ideia é ter seu controle pulverizado, passando a ser uma “corporation”. A oferta da Corsan deve alcançar R$ 1,5 bilhão. O processo de “venda” da operação aos investidores começa depois da precificação dos R$ 30 bilhões de ações da Eletrobras, no meio de junho. Os encontros com os investidores devem começar em julho e a definição de preço, no fim  daquele mês, pouco antes do início de verão no Hemisfério Norte.

Modelo de privatização é semelhante ao da elétrica

A Corsan pretendia fazer o IPO no começo do ano, mas em janeiro decidiu adiar a oferta. Poucas semanas atrás, voltou a conversar com os bancos de investimento, prevendo a oferta para uma possível janela em julho. Inicialmente, havia ceticismo que a operação pudesse novamente sair do papel neste momento, em decorrência dos juros altos e da falta de clima para lançamento de ações, no Brasil e no mundo. Mas se a operação da Eletrobras for bem-sucedida, pode ajudar a destravar o IPO da Corsan, até porque as duas privatizações seguem modelo bem semelhante, destaca uma fonte em Nova York.

Pelo plano, governo gaúcho deixa de ser controlador

Na operação da Corsan, além de uma oferta primária de ações, com dinheiro indo para o caixa da empresa, o governo gaúcho vai reduzir sua participação de pouco mais de 50% no capital da companhia de saneamento para menos de 30%, deixando assim de ser seu controlador e criando uma empresa com vários sócios na bolsa. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está diretamente envolvido na operação, assessorando o governo gaúcho, assim como está envolvido na Eletrobras. A coordenação da oferta da Corsan é feita por Morgan Stanley, Bank of America, Itaú BBA, Bradesco BBI, BTG Pactual, Safra e XP.

No início do ano, a expectativa era a de que o IPO da Corsan fosse um dos poucos a sair, por conta de seu modelo e do novo marco de saneamento. Mas, além do mercado ruim, pesou para o adiamento da oferta uma série de questionamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio Grande do Sul, que desde julho de 2021 abriu um processo para analisar a privatização da estatal.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 30/05/22, às 17h44

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