Corte de rating por troca de controle da JBS pode antecipar dívidas

Corte de rating por troca de controle da JBS pode antecipar dívidas

Coluna do Broadcast

14 Setembro 2017 | 05h00

Um rebaixamento do rating do frigorífico JBS, como decorrência de uma eventual troca de controle da empresa, pode motivar a liquidação antecipada de dívidas da companhia emitidas no exterior. Essa é uma das principais cláusulas, os chamados “covenants”, dos bônus da empresa, que somam cerca de US$ 3 bilhões, com vencimentos que se estendem até 2024. A não ser que os detentores desses papéis, os chamados bondholders, aceitem um perdão pelo descumprimento da exigência, conhecido como waiver, a companhia de alimentos correria o risco de aprofundar sua crise de liquidez, uma vez que os papéis poderiam ser resgatados a 101% do valor de face.

Controle versus gestão
No que diz respeito à alteração da gestão da JBS, que ficou em evidência após a prisão de Wesley Batista, presidente do frigorífico, é esperado ainda, conforme a escritura dos papéis, que a família controladora permaneça no comando da empresa. Essa seria uma brecha para bondholders exigirem o resgate antecipado dos bônus na Justiça dos Estados Unidos. Mas o caso é complexo, na opinião de especialistas. Apesar da pressão do seu sócio, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o que vem sendo negociado pelo frigorífico é uma transição mais lenta, que não acarrete a antecipação da dívida e não prejudique o dia a dia da empresa. Procurada, a JBS não comentou.

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