Crédito ou débito? Na incerteza da crise, consumidores preferem débito

Crédito ou débito? Na incerteza da crise, consumidores preferem débito

André Ítalo Rocha

08 de outubro de 2020 | 05h15

As maquininhas do Sicredi, sistema de cooperativas de crédito, registraram aumento três vezes maior para as transações feitas com cartão de débito do que com cartão de crédito durante o segundo trimestre, o primeiro depois do início a pandemia no Brasil. Foram R$ 1,8 bilhão em compras realizadas no débito, alta de 42% em relação a igual período do ano anterior, e R$ 1,4 bilhão no crédito, avanço de 14% – números que consideram 156,2 mil estabelecimentos cadastrados.

Vai no garantido. Segundo o Sicredi, a expansão maior do débito está relacionada à crise econômica e às incertezas quanto à duração da pandemia. Os consumidores procuraram controlar o orçamento e a opção débito é mais segura. As pessoas gastaram o que realmente tinham em conta, em função da falta de visibilidade de até quando iria durar a pandemia. Também priorizaram o consumo de produtos básicos, segundo Cidmar Stoffel, diretor executivo de produtos e negócios do Sicredi. Além disso, emissores passaram a aceitar o débito em aplicativos como iFood e Uber.

Reforço. O aumento do débito verificado pelo Sicredi também ocorreu durante o início do auxílio emergencial. Segundo levantamento da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), se não fosse pelo auxílio, as compras feitas pelos brasileiros com cartão de débito teriam caído 2,3% no segundo trimestre em comparação a igual período do ano passado. Com o benefício, houve ligeiro avanço de 0,3%, para R$ 150,4 bilhões, praticamente estável. A contribuição do auxílio foi de cerca de R$ 4 bilhões.

Contato: colunabroadcast@estadao.com

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