Credor da Ricardo Eletro leva à CVM reclamação contra Starboard e Socopa

Credor da Ricardo Eletro leva à CVM reclamação contra Starboard e Socopa

Cynthia Decloedt

30 de setembro de 2020 | 05h00

Foto: Fabio Motta/Estadão

Uma disputa travada na Justiça pela Siri, fornecedora de celulares e credora do Grupo Máquina de Vendas (dona da rede Ricardo Eletro), e a consultoria Starboard, foi levada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A reclamação seria de não cumprimento de deveres previstos na regulação do xerife do mercado financeiro pela Starboard na gestão do fundo Titânio XV, usado na troca de dívida da Siri por debêntures conversíveis em ações, durante a recuperação extrajudicial. Este ano, o grupo Máquina de Vendas pediu recuperação judicial. A Socopa é a administradora do fundo.

Diz que me diz. Conforme documentos entregues à Justiça, a Siri alega que a Starboard não teria realizado a alienação fiduciária de um imóvel em Goiás, garantia real prevista na escritura da debênture. Tampouco teria feito as transferências de recebíveis para a conta garantia.

Feito. A Siri entrou com um pedido de produção antecipada de provas ao Tribunal de Justiça. A Starboard apresentou comprovações de garantias que haviam sido alienadas à debênture, algumas delas em substituição às previstas originalmente.

Tentativa. Por meio do Titânio XV foram renegociados cerca de R$ 250 milhões em créditos, sendo cerca de R$ 90 milhões da Siri. Além dela, a Starboard também é cotista do fundo, com participação superior a 40%, por conta do aporte de cerca de R$ 150 milhões feito na Maquina de Vendas.

Com a palavra. A Starboard esclareceu ter fornecido todos os documentos disponíveis requeridos pela Siri na ação de exibição de documentos. A Siri, por ter o direito a assento no Conselho de Administração da Máquina de Vendas, teve acesso irrestrito a informações e decisões tomadas desde a homologação da recuperação extrajudicial (quando foi realizado o investimento). A Starboard informa também que encerrou, formalmente, seu mandato como assessora financeira da Máquina de Vendas antes de se tornar investidora. Por isso, nunca houve conflito de interesse. A Starboard diz ainda que a recuperação extrajudicial da Máquina de Vendas foi conduzida com transparência e contou com a anuência de todos os envolvidos e que, como gestora, assegurou que a debênture tivesse garantias robustas. Segundo a Starboard, o valor do pacote de garantias é superior ao valor do crédito. A gestora está tomando as medidas necessárias para recuperar o crédito da debênture, considerando o contexto do grupo Máquina de Vendas e os interesses dos cotistas do fundo. Procuradas, a Siri e a Socopa não comentaram.

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