Credores da Azul começam a se organizar para eventual reestruturação

Por Cynthia Decloedt

29 de abril de 2020 | 05h02

São Paulo, 28/04/2020 – Os detentores de US$ 400 milhões em títulos de dívida emitidos no exterior (bonds) da companhia aérea Azul começam a estudar como se organizar para uma eventual reestruturação dessa dívida. O movimento é inicial e acontece apesar de a companhia ter informado há dez dias que não pretende reestruturar essa dívida. As conversas giram em torno da criação de um comitê de credores para representá-los perante a empresa e na busca de assessores jurídicos e financeiros. Nesta semana, a companhia pagou parcela equivalente a juro, que incide semestralmente, de 5,875% ao ano. O próximo vencimento de juro é em outubro. O bond foi emitido em 2017, a 99,297% do valor de face. Com a crise trazida pela pandemia, esses papéis perderam valor, atraindo alguns fundos especializados em ativos problemáticos. Nesta terça-feira, eram negociados em torno de 58% do valor de face.

Faxina. A companhia contratou a consultoria Galeazzi e Associados para conduzir conversas com credores bancários e fornecedores sobre reestruturação de compromissos, uma vez que suas receitas caíram abruptamente por conta da paralisação dos voos. A consultoria Plane View Partners foi também contratada para tratar de questões relacionadas com sua frota e o relacionamento com fabricantes e empresas de arrendamento de aviões. Os escritórios de advocacia Pinheiro Neto e TWK auxiliam a Azul nas negociações comerciais. Procurada, a Azul não comentou.

Contato: colunabroadcast@estadao.com
Siga a @colunadobroad no Twitter

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: