Cheque da Highline é gordo, mas preocupa credores da Oi

Cheque da Highline é gordo, mas preocupa credores da Oi

Fernanda Guimarães e Cynthia Decloedt

26 de julho de 2020 | 05h00

Prédio da Oi.

Os credores da Oi, em recuperação judicial, olham com certa preocupação para a oferta agressiva da Highline do Brasil, controlada pela norte-americana Digital Colony. Apesar da boa recepção entre os envolvidos, há receio quanto à capacidade de pagamento do valor. Atraente, a proposta supera o lance mínimo de R$ 15 bilhões. A questão é que a companhia especializada em infraestrutura de comunicação terá de buscar dinheiro no mercado para o que seria o maior cheque feito por ela até hoje. Qualquer eventual dificuldade em conseguir os recursos poderia atrasar o processo de venda.

Ao fechar exclusividade na negociação com a Oi, a Highline conseguiu a preferência e se comprometeu a bancar os custos – não irrisórios – de diligências para uma avaliação mais profunda dos ativos. Ao fim da exclusividade, o processo será reaberto e já se comenta que o consórcio formado pela Tim, Claro e Vivo pode apresentar nova proposta. Para garantir a exclusividade, a Highline então teria de preencher novamente o valor do cheque – só que para cima. A exclusividade das negociações com a Oi vale até 3 de agosto.

Cade teria leituras duplas sobre vantagem de novo competidor

Embora a entrada de um estrangeiro no setor de telefonia pudesse agradar a Anatel, não está descartado que o órgão regulador venha a fazer alguns questionamentos quanto à falta de experiência da Highline em telefonia móvel ou em relação a uma eventual estratégia de alugar as frequências móveis da Oi. Quanto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), as indicações são de que haveria aprovação do regulador com aumento de concorrência. Mas as teles, para seguir no páreo, podem defender a tese de que, ao contrário, o fortalecimento das operadoras locais traria maior competição ao setor.

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