Credores da Oi não previram reflexo da Operação Lava Jato

Cynthia Decloedt

11 de dezembro de 2019 | 04h00

Os maiores credores da Oi, atualmente acionistas da companhia telefônica, não computaram o risco da Lava Jato no preço da renegociação da dívida de cerca de R$ 32 bilhões detidas pelos ex-bondholders, como são chamadas as pessoas que detêm títulos de dívida de uma empresa. Apesar de a operação estar em andamento desde 2016, quando a tele entrou em recuperação judicial, e de muito ter se sido publicado sobre eventual favorecimento da empresa do filho do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva em negócios com a operadora, o tema nunca apareceu nas negociações com credores. O entendimento era de que essa ameaça estava relacionada a um passado que não seria revisto.

Por ora. A visão dos credores é de que, por enquanto, a investigação não deve afetar a empresa. Mas se isso ocorrer, vai ampliar os desafios de caixa da companhia, que ainda são grandes.

Grandes números. A Oi listou dívidas de R$ 65 bilhões, o que lhe deu o título de maior processo de recuperação judicial da América Latina por alguns anos. A operação deflagrada hoje pela Lava Jato, chamada Mapa da Mina, investiga supostos repasses de mais de R$ 132 milhões, entre 2004 e 2016, por companhias da Oi para empresas do Grupo Gamecorp/Gol, controladas por Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho de Lula.

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