Crise do coronavírus pode ter efeito positivo para as seguradoras

Crise do coronavírus pode ter efeito positivo para as seguradoras

Aline Bronzati

14 de abril de 2020 | 04h40

Ao contrário do que se vê na maioria dos setores econômicos, com reflexos extremamente negativos, a crise gerada pelo novo coronavírus pode ter um efeito reverso no mercado de seguros aqui e ao redor do globo. Apesar de ser um vento totalmente contrário do lado das vendas, a urgência da Covid-19 e as medidas adotadas para contê-la estão reduzindo drasticamente a sinistralidade em vários segmentos como no seguro saúde e de automóvel, e ainda pode beneficiar companhias que atuam com seguros de vida e previdência privada. Isso significa, na prática, diminuir os custos das seguradoras, o que é positivo para os resultados.

Efeito calendário. No seguro saúde, o número de procedimentos eletivos, como cirurgias e exames, diminuiu radicalmente neste período. No lugar, crescem demandas emergenciais pela Covid-19, mas, ainda assim, executivos não esperam, ao menos até agora, uma compensação em termos de custos por conta da postergação. Tanto é que hospitais sofrem com a perda inesperada de receitas. Mesmo após a crise, não é esperada uma corrida para realizar todos os procedimentos eletivos que ficaram para trás.

Ruas vazias. Enquanto isso, as medidas de isolamento social colocaram todos dentro de suas casas e esvaziaram as ruas, o que, por sua vez, diminui o número de colisões de automóveis. A trégua vem depois da piora da sinistralidade no início do ano com chuvas além da conta. Aqui, porém, a ‘economia’ das seguradoras é minada pela redução das receitas financeiras devido à queda dos juros básicos, a Selic.

Destrava. No caso dos seguros de vida e planos de previdência, um efeito ‘positivo’ que pode ocorrer no mercado brasileiro – e, principalmente, no exterior, é a liberação de parte de reservas das seguradoras para fazer frente a indenizações futuras. Tal destravamento pode ocorrer no caso dos contratos de renda vitalícia, ou seja, quando o segurado opta por pagamentos mensais até o fim da vida. Se não está prevista a transferência para um cônjuge, esses recursos ficam com as seguradoras.

Risco coberto. Por outro lado, um grupo de quase 30 companhias do setor se antecipou e garantiu a cobertura para casos de coronavírus no seguro de vida, uma vez que pandemia é um risco excluído das apólices. O movimento pró-ativo ocorre após um raio-x nas carteiras para identificar futuras indenizações e não deve resultar em um impacto elevado em termos de sinistros.

Com a palavra. Em recente posicionamento, o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Marcio Coriolano, destacou, que, do ponto de vista dos negócios, há ‘certa unanimidade’ de que as consequências da pandemia deverão impactar severamente o setor. Dentre os reflexos internos, citou aumento na frequência do setor de saúde e redução no número de beneficiários e maiores indenizações no seguro de vida.

 

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