Custo para captar no exterior dobra para algumas empresas brasileiras

Custo para captar no exterior dobra para algumas empresas brasileiras

Cynthia Decloedt

13 de março de 2020 | 04h45

O coronavírus provocou uma disparada no custo de captação para empresas brasileiras no mercado de dívida externa. O termômetro está no retorno que esses títulos de dívida emitidos pelas companhias oferecem em suas negociações no exterior. Quanto mais alto o retorno exigido pelo investidor para ficar com o papel, mais caro é para a empresa fazer uma nova captação. Para as mais expostas à crise e que estão na linha de frente das perdas decorrentes da paralisação de vários serviços no mundo, como o de aviação, esse custo praticamente dobrou desde a segunda-feira de carnaval, dia 24. Nesta data, os mercados acordaram para os riscos de desaceleração econômica global.

Esse é caso do título da Gol, que vence em dez anos. A aérea pagava 6,32% antes do carnaval. Na quarta-feira, já tinha de desembolsar 14%. O retorno do título da Latam, que vence em 2026, saiu de 5,2% para 9,6%. Isso quer dizer que o custo de uma nova emissão subiu pelo menos 84% para a companhia aérea. A CSN teria de pagar no mínimo 70% a mais em uma nova captação com títulos de dívida.

Para todos. A Petrobrás também teria de arcar com um custo 40% superior para lançar um novo título no prazo de dez anos. O retorno de seu papel de 10 anos saiu de 3,7% no dia 21 de fevereiro para 5,2% na quarta-feira. A petroleira, assim como outras empresas brasileiras, não tem qualquer intenção de chegar ao mercado externo para captar recursos nesse momento. Alias, várias emissões que estavam previstas para este mês foram suspensas. Não só de empresas brasileiras, mas também de vários países, uma vez que a aversão generalizada causada nos mercados pelo coronavírus produziu aumento nos custos para todos.

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