Custo para ser uma companhia aberta vai de 0,1% a 0,2% do faturamento, revela pesquisa

Cynthia Decloedt

29 de março de 2021 | 11h10

Pessoa observa painel com cotação de ações no salão da B3. Crédito da foto: Gabriela Biló / Estadão

Em meio a uma avalanche de empresas que recém chegaram ou ainda aguardam para listar ações em bolsa, a consultoria Deloitte e a B3 fizeram um estudo para mostrar aos futuros interessados que uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) não leva apenas a um aumento nos custos, mas também a uma série de benefícios. A pesquisa Custos de Operação de uma Companhia Aberta, obtida pelo Broadcast/Estadão com exclusividade, mostra que o custo de manutenção de uma companhia em bolsa varia de 0,1% a 0,2% do faturamento. A consultoria e a operadora da Bolsa brasileira consideram um valor baixo diante dos benefícios que uma empresa aberta possui.

Um exemplo: 71% das companhias ouvidas chegaram à bolsa com a intenção de captar recursos na oferta inicial. Entretanto, tiveram como benefício adjacente o fato de que o capital aberto garantiu a 93% delas financiamento mais barato mesmo em outras fontes. Além disso, também ganharam em outros aspectos importantes para seus negócios, graças à visibilidade e à melhoria de imagem. Esta é a primeira vez que ambas fazem um levantamento sobre o assunto.

“As empresas sempre fazem perguntas relacionadas a custos quando estão se preparando para o IPO, e a pesquisa quer mostrar que existem benefícios da abertura de capital. Que o IPO não é o fim, mas um começo”, conta Rafaela Vesterman, gerente de Relacionamento com Clientes da B3.

Segundo a pesquisa, em metade das 51 empresas consultadas, de 12 diferentes setores, os custos para manter o capital aberto não passaram de R$ 1,5 milhão por ano. A percepção dos entrevistados é de que os maiores custos relacionados à vida de uma empresa aberta são aqueles ligados aos requisitos obrigatórios. A auditoria e a revisão das demonstrações financeiras (67%) e as taxas e custos para manter o registro (51%) estão entre eles.

A média anual dos gastos varia de acordo com a receita: entre as empresas com faturamento menor do que R$ 300 milhões por ano, os custos recorrentes ficam na casa dos R$ 800 mil, o equivalente a 0,2% da receita. Já entre as empresas com receita líquida maior do que R$ 2 bilhões, esses custos são, em média, de R$ 3,85 milhões. Os dados foram coletados entre novembro e dezembro do ano passado.

No universo do levantamento, 53% das companhias têm faturamento anual superior a R$ 1 bilhão. Empresas com faturamento entre R$ 300 milhões e R$ 1 bilhão anual, nicho que aumentou a presença em bolsa na onda de ofertas iniciais no ano passado, representaram 27% do total.

“Sempre houve esse dilema relacionado aos custos, mas a pesquisa identificou uma visão muito positiva em relação aos benefícios adicionais relacionados ainda à facilidade de reter profissionais, à visibilidade que alcançam junto a clientes, fornecedores e outros participantes do mercado”, afirmou Carlos Zanotta, sócio de Global Capital Markets Group da Deloitte. Segundo ele, além da fatia de até 0,1% a 0,2% do faturamento, as necessidades de estrutura contábil, backoffice e comitês associados à vida de empresa listada variam de acordo com o tamanho da companhia.

Vesterman, da B3, cita ainda que a facilidade de fazer ofertas subsequentes (follow on) e captar recursos a um custo mais barato do que na oferta inicial é também percebida como vantagem. De acordo com ela, há uma queda em torno de 30% a 40% no custo de um follow on em relação ao do IPO.

O levantamento identificou que para 66% das companhias, ficou claro que os benefícios compensam os custos, enquanto 14% disseram não enxergar vantagens. “As principais questões levantadas por uma em cada sete desse pequeno grupo de empresas estão relacionadas aos novos desafios enfrentados, como a complexidade regulatória e atendimento das demandas do mercado por transparência, maiores informações e dentro dos prazos estipulados pelos reguladores”, explica Zanotta.

O executivo da Delloite diz ainda que o IPO deixou de ser visto como um evento somente de grandes empresas, e que para várias, é justamente uma fase de maior amadurecimento. “Quando comparava o tamanho das empresas brasileiras com as de outros mercados existia a percepção de que tinham de estar mais maduras, mas a experiência do ano passado deixou claro que algumas poderiam ter chegado (à bolsa) até antes”, disse.

Segundo ele, há uma mudança na percepção do mercado, que deixou de olhar para a oferta em bolsa como se fosse o final de uma história de crescimento. “Os investidores estão percebendo isso, e para as empresas também ficou claro que se trata de um começo”, acrescentou.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 26/03/2021 às 18:09

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