CVM começa a destravar regras para trazer liquidez de empresas que se listam nos EUA

CVM começa a destravar regras para trazer liquidez de empresas que se listam nos EUA

Fernanda Guimarães

12 de dezembro de 2019 | 04h14

Enquanto Guilherme Benchimol, com a bandeira do Brasil nos ombros, tocava o sino da bolsa norte-americana Nasdaq em Nova York, na estreia da XP, por aqui a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) lançava a audiência pública para discutir as regras de emissão dos BDRs, títulos que permitem a investidores brasileiros comprarem ações de empresas estrangeiras. As mudanças que estão na pauta vêm há muito tempo sendo discutidas e pedidas pelo mercado ao regulador, na tentativa de conter a migração de toda a liquidez empresas brasileiros ao exterior, caso da XP. Dentre as mudanças, está abrir a possibilidade de empresas brasileiras que decidiram fazer a oferta inicial de ações fora do País possam ter BDRs negociadas localmente. Outra alteração importante é passar a permitir que as BDRs possam ser adquiridas pelo investidor comum e não só pelo qualificado, aquele com mais de R$ 1 milhão investido. Esse assunto tem urgência desde janeiro do ano passado, quando a PagSeguro fez sua abertura de capital multibilionária – tal qual o da XP – na Nyse, a bolsa de Nova York.

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Pressa. Esse não deve ser o único assunto que o regulador do mercado de capitais brasileiro terá de colocar em discussão. Além da mudança dos BDRs, outra que será necessária para que empresas como a XP possam também ter suas ações listadas no Brasil e ter, assim, dupla listagem (na Nasdaq e na B3), seria permitir o voto plural, como prevê a regulação nos Estados Unidos. O voto plural permite que a empresa abra capital e mantenha o poder decisório, estrutura predominante nas aberturas de capital do setor de tecnologia. Foi assim com a XP e a PagSeguro. Em carta a clientes, o presidente e fundador da XP, Guilherme Benchimol, não escondeu que uma das razões para a escolha da Nasdaq foi a possibilidade do voto plural.

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