Decretos se multiplicam e pedem até drive thru em bancos durante pandemia

Decretos se multiplicam e pedem até drive thru em bancos durante pandemia

Aline Bronzati

10 de abril de 2020 | 10h16

Foto: Aline Bronzati/Estadão

O setor bancário está tendo de lidar com uma demanda a mais durante a pandemia: a explosão de decretos e leis relacionados ao atendimento nas agências. O número saltou de cerca de 50 a 60 orientações por mês para 3 mil, em apenas 15 dias de quarentena. Os pedidos são os mais variados. Obrigam os bancos desde organizarem filas fora das agências a instalarem um serviço de drive thru nos caixas eletrônicos para atender os clientes durante a pandemia. Cada município tem de duas a três decisões que legislam sobre a área. Em alguns casos, como Paraty (RJ), há nove. Além de serem diferentes entre si, outro problema está relacionado ao tempo de implementação. Muitas exigem a adoção em menos de 24 horas após a publicação.

Como faz? A queixa quanto à falta de coordenação nas medidas para gerir a crise da pandemia no Brasil também se encaixa neste caso. Enquanto o decreto federal classificou os serviços bancários como essenciais, em alguns locais, o estadual proíbe e o municipal autoriza.

Melhora para pior. O enorme número de leis que trata sobre o atendimento bancário no País, muitas vezes com orientações que se chocam conforme sua origem, não é novidade. A criatividade municipal vem sendo um desafio para os bancos há tempos. Antes da pandemia, uma das ideias pedia música ambiente nas agências.

#fica em casa. O calhamaço de leis e decretos ocorre em meio ao esforço de fazer as pessoas ficarem em casa e respeitarem a quarentena, evitando tumultos. Nos bancos, estima-se que o fluxo de pessoas diminuiu entre 35% e 45%. Ainda assim, ocasiões como pagamentos a idosos, por exemplo, ainda geram corrida às agências. Por isso, os bancos têm orientado o uso dos canais digitais.

Kit básico. Na pandemia, as instituições diminuíram o horário de atendimento em duas horas e estabeleceram um período mais cedo, das 9 às 10 horas, para os grupos de risco. Além disso, uma série de medidas – como disponibilização de álcool em gel e máscaras para os bancários, dentre outras -, foi sendo tomada de maneira gradual. Cada banco adota um conjunto de iniciativas, uma vez que não há orientação mínima e coordenada para o atendimento bancário.

Filas. Uma das medidas que os bancos adotaram foi determinar a quantidade de pessoas dentro das agências. No geral, são permitidas até dez por vez. Com isso, uma fila de clientes se forma para fora da agência, faça chuva ou sol. Como é preciso evitar aglomerações por conta da Covid-19, os gerentes e seguranças das agências têm de organizá-las.

Descobertos. Diante disso, um dos decretos ordenou que os bancos colocassem tendas para proteger quem fica para fora. O problema é que, com as ruas vazias, a violência aumentou e a ocorrência de pequenos delitos nas filas têm sido uma realidade, inclusive, com vítimas. Não são só os clientes que têm de contar com medidas de cuidado e prevenção, os bancários também estão expostos, assim como outros profissionais como médicos, enfermeiros, faxineiros, funcionários de supermercados, uma vez que o setor foi considerado como serviço essencial.

Com a palavra. O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, disse, à Coluna, que é “natural” e “compreensível” ações que visem a preservar as pessoas e evitar que fiquem expostas e vulneráveis à contaminação. Admite, porém, que conciliar as demandas estaduais e municipais é um desafio e o setor tem estimulado o uso dos canais digitais e adotado as medidas de prevenção para manter o serviço bancário. “Nas situações que percebemos conflitos, estamos ajuizando ações para fazer a interlocução e o debate com as autoridades locais, mostrando que o serviço bancário é essencial”, disse Sidney.

 

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