Deputado ‘príncipe’ Orleans e Bragança será CFO em empresa de ‘cheque em branco’ dos EUA

Deputado ‘príncipe’ Orleans e Bragança será CFO em empresa de ‘cheque em branco’ dos EUA

Gabriel Baldocchi

29 de julho de 2021 | 15h30

O deputado federal chegou a ser cogitado para ser vice de Bolsonaro em 2018  Foto: Gabriela Biló/Estadão

A febre americana das chamadas empresas de “cheque em branco” chegou ao Legislativo brasileiro. O deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) atuará como diretor financeiro (CFO) de uma iniciativa recém-lançada nos EUA e ajudará executivos estrangeiros a identificar uma oportunidade de negócios em tecnologia. A Digital World Acquisition Corp. prevê levantar US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) junto a investidores para ir à caça de uma empresa promissora na região das Américas, de preferência uma fintech ou uma companhia de SaaS (Sofware como Serviço, da sigla em inglês). Os mercados americano e brasileiro são os principais no radar.

Descendente da família real brasileira, Orleans e Bragança ganhou fama na política ao ser conhecido como o “príncipe” que foi cogitado a vice do presidente Jair Bolsonaro. Seu currículo, porém, traz uma longa experiência no mercado financeiro, com atuação na área de fusões e aquisições, no Brasil, na Europa e nos EUA, e passagens por JP Morgan, Time Warner e Saint Gobain, além de iniciativas empreendedoras próprias.

O convite para participar da nova empreitada partiu de um investidor que tem colocado recursos na modalidade. Além da experiência em processos de fusão e aquisição, o deputado ajudará a dar uma leitura mais aguçada sobre riscos políticos que pesam em negócios na América Latina.

Deputado e investidor

Empresas de “cheque em branco” não são operacionais. São conhecidas como Spac, sigla para Special Purpose Acquisition Company (veículo de propósito específico de aquisição). Trata-se de uma alternativa criada nos EUA para conectar investidores a companhias que buscam levantar recursos. A ponte é feita por meio de executivos com experiência e envolve um processo de fusão que resulta no ingresso da companhia-alvo na Bolsa.

Orleans e Bragança diz que a nova atuação não impactará seu mandato e afasta o risco de potenciais conflitos de interesse. Segundo ele, o cargo não requer participação presencial. “Muitos deputados têm fazendas, são médicos, advogados, têm suas próprias atividades. A minha é de investidor”, afirmou à Coluna.

Advogados consultados pela reportagem dizem não ver problema na atuação como investidor durante o mandato, desde que a escolha da companhia investida não tenha negócios ou relação com o governo. O deputado descarta essa possibilidade.

A constituição da empresa ainda está nos trâmites iniciais. A expectativa é que a oferta inicial de ações (IPO, da sigla em inglês) na Bolsa eletrônica Nasdaq aconteça em agosto e dê a largada para a caçada. Já há nomes considerados potenciais nos EUA e ao menos duas companhias vistas como promissoras no Brasil. Mas a fase de conversas não foi iniciada.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 29/07/2021, às 12h27.

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