Desde Lava Jato, Petrobras reduziu dívida externa em mais de US$ 20 bi

Desde Lava Jato, Petrobras reduziu dívida externa em mais de US$ 20 bi

Cynthia Decloedt

11 de outubro de 2020 | 04h31

 

O montante de títulos de dívida (bonds) em circulação no exterior da Petrobras encolheu mais de US$ 20 bilhões desde o final de 2015, quando a companhia perdeu o grau de investimento. Com pouco mais de US$ 30 bilhões em bonds circulando nas mãos de investidores externos atualmente, a mesma posição estava levemente abaixo de US$ 50 bilhões em 2016, segundo dados fornecidos pela petroleira a pedido do Broadcast. Esse mesmo montante, um pouco acima de US$ 50 bilhões, era o quanto a companhia tinha no mercado na perda do grau de investimento.

Agora, na trilha para recuperar o selo de bom pagador, a petroleira mantém firme sua estratégia de desalavancagem e quer voltar a figurar entre as empresas de menor risco, o que reduz o custo de captação da companhia e abre o leque de potenciais investidores em seus papéis. Alguns dos maiores fundos internacionais, como de pensão e as seguradoras, só podem investir em companhias que tenham as melhoras notas, ou o grau de investimento, pelas agências de classificação de risco.

 Bonds em circulação no mercado da Petrobras 
 Ano valor em US$
201649,167 bi
201751,911 bi
201839,267 bi
201932,476 bi
202034,147 bi *

Fonte: Petrobras
*não inclui a recompra feita em setembro de US$ US$ 3,502 bi

A Diretora Executiva Financeira e de Relacionamento com Investidores Petrobras, Andrea Marques de Almeida, explicou em conversa com o Broadcast, que o advento da pandemia do novo coronavírus agregou certa complexidade à estratégia de recompra de bonds da petroleira, que desde o ingresso de Roberto Castello Branco na presidência da companhia, no ano passado, tem sido seguida à risca. Segundo ela, a Petrobras está com caixa suficiente para cobrir as necessidades e estratégias mapeadas para esse ano frente à pandemia, mas assim mesmo quer ter gordura para eventuais imprevistos.

“Queremos ter um caixa um pouco maior até que tenhamos certeza de que não haverá surpresas capazes de gerar volatilidade”, afirmou. De toda a forma, Almeida reforça que a estratégia da companhia continua sendo de redução de dívida. “Isso não muda, até que encontremos o patamar da meta de US$ 60 bilhões de dívida bruta, que agora pretendemos atingir em 2022”, ressaltou. No segundo trimestre, a dívida bruta da Petrobras estava em US$ 91,2 bilhões. A questão, explica, é que mesmo nas recompras feitas com emissão de novos títulos para retirar os velhos, existe sempre um gasto de recursos do caixa. Ou seja, há agora uma nova variante na análise dessas oportunidades, segundo ela. Mesmo assim, Almeida não descarta que a estatal venha a recomprar mais bonds ainda este ano. “Temos de analisar sob vários pontos de vista, incluindo caixa”, pontuou.

Ela lembra que essa meta de desalavancagem envolve também outras dívidas, sinalizando, ao mesmo tempo, que os compromissos relacionados a emissões feitas no mercado de dívida, incluindo instrumentos locais, respondem por cerca de 58% do endividamento da empresa. “Queremos que nossa curva de bonds e de dívida tenha um custo que nos leve ao patamar de grau de investimento. Temos um caminho a percorrer”, disse ainda.

Para isso, segundo Almeida, o trabalho de recompra de bonds que a Petrobras vem fazendo foca em deixar a curva líquida, especialmente em vencimentos de referência, como 10 e 30 anos, para que os preços do mercado secundário espelhem melhor a qualidade da empresa. Hoje, o maior montante de bonds emitidos está no prazo de 30 anos, com US$ 4,115 bilhões. A executiva não revelou qual é o custo desejado para a curva de bonds da Petrobras, mas disse que atualmente o custo médio de toda a dívida da companhia está em torno de 5,6%.

Na última recompra, feita em setembro, a petroleira utilizou dinheiro de caixa para retirar US$ 3,5 bilhões em bonds da empresa do mercado, mas havia captado US$ 3,25 bilhões em maio, a primeira operação no ano de 2020 e fora da janela mais importante do mercado externo, em janeiro. Nas duas emissões feitas pela empresa no ano passado, em março de US$ 3 bilhões e em setembro de US$ 4,1 bilhões, os recursos levantados foram suficientes apenas para realizar a recompra de bonds que estavam em circulação.

A Petrobras já vinha tirando o pé do acelerador em termos de ofertas de bonds no exterior após a operação Lava Jato, que teve sérias consequências na percepção de risco da companhia lá fora. Ou seja, desde então, a companhia foi reduzindo presença como um dos principais emissores de bonds no mercado de dívida externa, com montantes que chegaram a superar US$ 10 bilhões por ano. Os bonds eram os de maior representatividade na carteira dos fundos estrangeiros que compram títulos de dívida de países emergentes.

Em 2015, sob os holofotes da Lava Jato, a Petrobras chegou a emitir um bond de 100 anos, no montante de US$ 2,5 bilhões, para expressar a confiança dos investidores na companhia. A operação foi bastante comentada na época, uma vez que, como investigada, acabou sendo alvo de processo de investidores no exterior.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 05/10/2020 às 13:27

O Broadcast+ é a plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse
http://www.broadcast.com.br/produtos/broadcastplus/

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Tudo o que sabemos sobre:

petrobrás#bondmarket#rendafixa

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: