Dinheiro do BNDES para Azul e Gol fica para agosto

Dinheiro do BNDES para Azul e Gol fica para agosto

Fernanda Guimarães e Cristian Favaro

22 de julho de 2020 | 05h15

Com as conversas com Azul e Gol demorando mais do que o esperado por conta de algumas questões como a destinação de recursos e diluição de acionistas, o empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para as companhias aéreas deve ficar apenas para agosto. Havia a expectativa de que o dinheiro pudesse ser liberado neste mês, mas o assunto não está concluído. No momento, o banco de fomento estaria perto de assinar o termo de condições com as aéreas. Depois disso, elas poderão dar prosseguimento à operação com os bancos, que será feita via mercado.

Foco no caixa. Pelas discussões atuais, cada companhia poderá receber um empréstimo de R$ 1,2 bilhão do banco de fomento e de bancos privados, sendo que parte viria de operações no mercado de capitais. A transação será feita por meio de um título híbrido, formado por papéis de dívida atrelados a bônus conversíveis em ações. No mercado, a percepção é de que ambas empresas têm dinheiro em caixa para sustentar a operação por mais alguns meses. Além disso, as companhias estão tomando medidas, de forma individualizada, para prover dinheiro ao caixa e reduzir custos – como folha de pagamentos.

Tá melhor. Nos bastidores, já se considera a possibilidade da fatia desses títulos a ser destinada ao mercado superar os 30% previstos na estrutura desenhada pelo BNDES. Como consequência, o banco de fomento ficaria com menos do que os 60% estimados. Os 10% para fechar a conta viriam dos bancos privados. A leitura é que o excesso de liquidez nos mercados e os juros baixíssimos vão ajudar. Além disso, há a percepção de que os negócios começaram a melhorar, já impulsionando o valor das ações das empresas.

Será? Já a Latam, que entrou em pedido de recuperação judicial (chapter 11) nos Estados Unidos, pode ficar sem nada do BNDES, conforme quem acompanha as discussões, porque a negociação fica cada dia mais complexa. Fora o pedido de recuperação judicial, a Latam precisaria lançar BDRs na B3 para poder dar prosseguimento à formatação da operação a mercado. Apesar disso, até aqui, ainda há conversas entre eles.

Outro lado.. Procurada, a Azul informou, em nota, que continua em negociação com o BNDES e, por ora, “não há novidades que possamos anunciar”. Já a Gol disse seguir negociando com o BNDES e espera que a proposta possa ser definida nas próximas semanas.

Minha vez. A Latam também disse que as negociações continuam. Segundo a aérea, o financiamento por meio do DIP (Debtor-in-possession) oferece ao BNDES “prioridade sobre todos os passivos da Latam anteriores a entrada ao Chapter 11, sendo assim uma garantia maior que qualquer outra empresa poderia oferecer”. Já o BNDES não comentou.

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