Direção da Vale tem seguro de reputação de US$ 150 mi

Direção da Vale tem seguro de reputação de US$ 150 mi

Coluna do Broadcast

29 de janeiro de 2019 | 04h00

Os executivos da Vale contam com seguro para proteger seus bens de atos e decisões em suas funções (D&O, na sigla em inglês) em cerca de US$ 150 milhões. É o chamado seguro de reputação e que pode ser usado após a tragédia em Brumadinho (MG). Antes do desastre de Mariana, há três anos, o proteção chegava a US$ 200 milhões. Desde o desastre de 2015, a Vale teve de diminuir a cobertura e passou a pagar mais. Para se proteger, a mineradora chegou a pagar US$ 1,39 milhão para a vigência da apólice entre 2015 e 2016. Essa conta, porém, subiu bastante com a percepção de maior risco da atividade mineradora e chegou a US$ 2,22 milhões para o contrato 2017/2018, conforme informações mais recentes. Nos últimos anos, a apólice esteve nas mãos de seguradora Zurich.

Guarda-chuva. O seguro protege executivos da mineradora de prejuízos por reclamações em virtude de atos ou omissões culposas ocorridos no exercício de suas funções. Estão no grupo de protegidos os membros do Conselho de Administração, Diretoria, Conselho Fiscal e de qualquer outro órgão estatutário, além de alguns funcionários de níveis estratégicos e gerenciais. O seguro cobre, inclusive, custos de defesa dos segurados.

Só que não. Analistas do mercado atentam para o risco de a tragédia de Brumadinho motivar uma onda de processos judiciais contra a mineradora. Representantes do governo também já afirmam que executivos da Vale podem ser responsabilizados pessoalmente pelo ocorrido. Quando o presidente da mineradora, Fabio Schvartsman, tomou posse em maio de 2017, disse que o lema da mineradora passaria a ser “Mariana nunca mais”.

Colchão. A Vale oferece ainda um “Contrato de Indenidade” para membros do Conselho de Administração e Diretores Executivos. Por esse acordo, a mineradora se responsabiliza por gastos “razoáveis” e valores que estes sejam condenados a pagar em virtude de inquérito, processos administrativos e/ou judiciais por ações ou omissão no exercício de suas funções. Procurada, a Vale não comentou. A Zurich também não se manifestou.

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