Dona da Amil fala em dobrar aposta no Brasil, mas ainda busca estratégia

Dona da Amil fala em dobrar aposta no Brasil, mas ainda busca estratégia

Cynthia Decloedt

26 de março de 2021 | 05h00

Sede da Amil, comprada em 2012 pela UnitedHealth REUTERS/Ricardo Moraes (BRAZIL – Tags: HEALTH BUSINESS)

A gestora de planos de saúde norte-americana UnitedHealth vem dizendo que está dobrando as apostas no Brasil, ao contrário de informações que davam conta de sua saída do País. Dona da Amil desde 2012, a empresa trocou a gestão no fim do ano passado e se debruça neste momento em reestruturar a operação. A desistência da venda da carteira de planos individuais da Amil, que trazia perdas para a companhia, foi apontada como um sinal de que, em vez de abandonar o País, os norte-americanos estão investindo na operação. A UnitedHealth diz, inclusive, que deve acompanhar o movimento de consolidação do segmento de saúde. Entre as frentes de eventual interesse estariam odontologia, oftalmologia e o segmento mais popular de atendimento médicos, na linha do Dr. Consulta, que está sob seu guarda-chuvas.

Empresas do mercado de fusões e aquisições olham, entretanto, com ceticismo para o negócio da UnitedHealth no Brasil. Para eles, a nova administração não tem exatamente um plano definido e a desistência de venda dos planos individuais teria se dado, na verdade, pela falta de um comprador. Concorrentes que olharam o negócio teriam pedido à UnitedHealth um pagamento de cerca de R$ 2 bilhões para que ficassem com o negócio de planos individuais. A Prevent Senior é uma das que chegou a olhar o ativo e desistiu. Para as fontes, os norte-americanos também aceitariam uma proposta factível.

A UnitedHealth pagou mais de R$ 10 bilhões ao fundador da Amil, Edson Bueno, em 2012, quando o dólar estava em torno de R$ 1,80. Atualmente, o dólar está perto de R$ 6, o que resultaria em perda forte do investimento.

Circulou no mercado que a UnitedHealth teria conversado com a Dasa Diagnóstico, empresa de Pedro Bueno, filho do fundador da Amil, para vender de volta a Amil. A teoria seria que a Dasa gastaria parte do que vai captar em Bolsa, por meio de re-IPO lançado ontem, nessa eventual compra.

Com a nova oferta em Bolsa, os papéis da Dasa voltam a ter liquidez no mercado. Isso permitiria que a empresa oferecesse à UnitedHealth ações como pagamento e tornasse a norte-americana acionista em uma nova empresa.

Embora a engenharia pareça interessante, especialmente depois da fusão da Hapvida com a NotreDame Intermédica, o movimento também é visto como duvidoso. A prioridade da Dasa é adquirir hospitais e esse passo seria operacionalmente desafiador.

Procurada, a Dasa não comentou. O UnitedHealth Brasil disse que não comenta rumores de mercado ou especulações e que “reafirma o seu compromisso com a saúde no Brasil”.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 25/03/2021, às 13:29:03 .

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