Dona da Cartier e Montblanc fechará quatro marcas no Brasil

Dona da Cartier e Montblanc fechará quatro marcas no Brasil

Coluna do Broadcast

13 de março de 2019 | 04h00

A euforia de uma década atrás deu lugar à ressaca na indústria do luxo. Em mais um capítulo do encolhimento desse setor no Brasil, a suíça Richemont decidiu encerrar as operações de quatro de suas marcas de relojoaria de alto padrão no País: IWC, Jaeger-LeCoultre, Panerai e Van Cleef. As quatro marcas estão, cada uma, com apenas uma loja, todas localizadas no shopping JK Iguatemi, em São Paulo. Elas devem continuar em funcionamento até junho, quando se encerram os contratos de locação. Os funcionários já foram informados sobre a decisão de encerramento das operações. Com a medida, o grupo suíço agora seguirá no Brasil apenas com as duas marcas mais famosas: Cartier e Montblanc.

Solavancos O mercado de luxo, composto por itens que não são de primeira necessidade, foi particularmente afetado pelos anos de recessão ou baixo crescimento registrados desde 2014. Dependente de importações, o segmento também sofre com os solavancos do câmbio e o peso dos impostos – em média, 55% do preço final de um relógio suíço vendido no Brasil é de tributos. Outro fator a afetar as vendas no País é o “status” que muitos consumidores veem na compra internacional. Estima-se que, para cada relógio suíço comprado por um brasileiro no País, dez sejam comprados no exterior.
Mais portas fechadas. O encolhimento do mercado de luxo não se restringe à relojoaria. Nos últimos meses, marcas como Ralph Lauren, Versace e Lanvin também anunciaram a decisão de deixar o País. O grupo Richemont, de capital aberto, não revela suas receitas no Brasil isoladamente. No mundo, as vendas superam € 10 bilhões por ano. No Brasil, IWC e Panerai informaram que “a princípio, não haverá fechamento no caso das boutiques”. Procurado, o grupo não respondeu até o fechamento desta Coluna.//Patrick Cruz

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