Donos de aeroportos e empresas aéreas brigam sobre valor de tarifas

Circe Bonatelli

25 de novembro de 2021 | 05h15

Há uma tensão no ar entre as duas associações globais que representam as gigantes da aviação – de um lado, as companhias representadas pela Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata) e do outro, as operadoras dos terminais, sob o Conselho Internacional de Aeroportos (ACI). A briga é sobre o preço das tarifas para embarque e desembarque de passageiros e manejo de aeronaves em meio à pandemia, que derrubou pela metade o fluxo nos aeroportos.

A Iata manifestou descontentamento há poucas semanas, quando o diretor-geral da entidade, Willie Walsh, classificou como “ultrajante” o valor cobrado das tarifas mesmo na crise. Levantamento da Iata mostrou que os reajustes das taxas de aeroportos e serviços de navegação aérea somam US$ 2,3 bilhões no ano, enquanto outros aumentos podem atingir dez vezes esse número, se forem aprovadas as propostas já apresentadas. Isso tende a atrasar a recuperação das viagens e afetar a conectividade internacional.

Cooperação

A ACI usou sua conferência internacional, realizada esta semana em Cancún, para rebater as críticas. O diretor-geral da ACI, Luis Felipe de Oliveira, disse que a Iata adotou uma postura muito agressiva e que o ideal é o setor trabalhar em cooperação. Segundo ele, muitos aeroportos concederam adiamento, desconto ou isenção de tarifas na pandemia, sendo que algumas companhias aéreas receberam subsídios governamentais, enquanto os aeroportos ficaram de mãos vazias. Os aeroportos não representam fator de risco para as companhias, afirma, uma vez que tarifas representam 5% do custo dos voos (o grosso está em leasing de aeronaves, combustível e funcionários).

Procurada pela Coluna, a Iata reconheceu ser necessário um esforço conjunto para o setor se recuperar da pandemia e que muitos aeroportos proporcionaram alívio financeiro para as aéreas. No entanto, a entidade tem visto uma tendência de aumento de taxas e encargos. A Iata também disse que as companhias acumularam dívidas enormes, que ultrapassa US$ 650 bilhões, e novos aumentos de custos podem minar sua recuperação.

 

O jornalista viajou para a conferência aeroportuária a convite da ACI

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 24/11/21, às 12h12.

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