Duratex cria fundo de R$ 100 mi para comprar startups que a ajudem a crescer

Circe Bonatelli

25 de junho de 2021 | 15h59

Unidade de produção de painéis de madeira da Duratex, em Agudos (SP).Foto: Divulgação

 

A fabricante de materiais de construção Duratex, dona de marcas tradicionais como Deca, Hydra, Portinari e Durafloor, entre outras, está criando um fundo de R$ 100 milhões para comprar participações em startups. A ideia é entrar em negócios inovadores, que possam abrir os olhos do grupo para oportunidades de ganhos de faturamento, produtividade e eventuais disrupções mais profunda das atividades – algo em que as grandes corporações não têm tempo para pensar.

“Uma empresa do nosso tamanho, de capital aberto e compliance elevado, tem uma certa restrição de agilidade. Os administradores não têm como dedicar o tempo necessário para inovação”, conta o presidente da Duratex, Antônio Joaquim de Oliveira, em entrevista exclusiva do Broadcast.

Por isso, veio a escolha pela criação do fundo, explica o executivo. “Uma forma mais rápida e, possivelmente, mais assertiva para trazer inovação para a companhia é de investir em empresas em estágio inicial”, diz. “Queremos conviver com jovens inovadores, fomentar talentos e empreendedores de êxito”.

Lucro não é prioridade em fundo de startups da Duratex

O fundo é o que se chama no mercado de corporate venture capital. O nome empolado quer dizer que é um fundo corporativo, 100% detido pela Duratex, e focado em empresas que estejam desenvolvendo produtos ou serviços inéditos no mercado, prontos para ganharem escala.

Os R$ 100 milhões saíram do próprio caixa da Duratex, que tem alavacangem baixa (1,1 vez é a relação entre a dívida e o Ebitda). O grupo preferiu levantar sozinho os recursos, sem sócios, para ter liberdade total no momento dos aportes. Até porque o lucro não é a prioridade agora. “O fundo não é para investimento financeiro. O foco é estratégico e com visão de longo prazo. Queremos apoiar empresas que possam nos trazer novas possibilidades”, afirma Oliveira.

Não há um prazo definido para realização dos investimentos, nem um número alvo de startups para compor o portfólio. Isso dependerá das oportunidades. As negociações para aquisições já estão em andamento, e as primeiras operações devem acontecer nos próximos meses.

A Duratex busca fatias minoritárias neste primeiro momento. Mas se o negócio fluir, vai considerar aquisição do controle mais para frente. A gestão das startups do portfólio ficará por conta dos empreendedores originais. O papel da Duratex será de monitorar o negócio, trocar ideias e recrutar talentos.

Construtechs estão na mira das aquisições

O alvo dos investimentos são as construtechs, isto é, startups que atuam nos ramos de construção, reforma e decoração, mostrando sinergias com os negócios tradicionais do grupo – que fabrica revestimentos cerâmicos, chuveiros elétricos, louças e metais sanitários, além de painéis de madeira para indústria de móveis. Startups com inovações em serviços comerciais e processos administrativos também podem entrar no radar.

Esta não será a primeira vez que a Duratex se interessa por startups. Em 2017, o grupo comprou a Viva Decora, site de decoração e reforma de interiores, com mais de 120 mil arquitetos e designers cadastrados e dez milhões de acessos por mês. A compra serviu para aumentar a exposição do seu portfólio de materiais de construção para profissionais qualificados. “A Viva Decora é um bom exemplo de movimentos que podemos fazer com o novo fundo”, aponta Oliveira.

A iniciativa também demonstra o apetite da Duratex por aquisições como forma de acelerar o crescimento do grupo. Nos últimos anos, por exemplo, a companhia acertou as compras das fabricantes de cerâmicos Cecrisa (dona marca Portinari) por R$ 539 milhões e da Ceusa, por R$ 280 milhões.

“Temos uma área bastante ativa focada em M&A (fusões e aquisições) e estamos sempre prospectando. Temos projetos de crescimento orgânico e inorgânico”, ressalta o presidente. “A empresa precisa estar crescendo sempre. É como estar no meio do oceano. Se parar de nadar, afunda”.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 24/06/2021 às 18h04

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