Duratex vê chance de encerrar 2020 com produção no nível pré-covid

Duratex vê chance de encerrar 2020 com produção no nível pré-covid

Circe Bonatelli

07 de junho de 2020 | 05h34

Fábrica de MDF da Duratex, em Agudos (SP).Foto: Divulgação

A Duratex, fabricante de louças e metais sanitários, revestimentos cerâmicos e painéis de madeira, enxerga a possibilidade de chegar ao fim deste ano com nível de produção próximo ao registrado antes da pandemia de coronavírus. Embora a quarentena tenha afetado os negócios do grupo em um primeiro momento, os volumes de pedidos estão “menos piores” do que o imaginado.

Para empresa, após pandemia consumidores investirão mais na própria casa

Além disso, existe a perspectiva de que a companhia poderá se beneficiar da potencial procura crescente por materiais para reformas domésticas nos próximos meses. Com as pessoas passando mais tempo dentro de casa, é de se esperar que queiram melhorar o local onde vivem, segundo o presidente da Duratex, Antônio Joaquim de Oliveira.

“Esperamos um retorno crescente da produção, com melhora a partir do terceiro trimestre e bases próximas à normalidade por volta do quarto trimestre”, afirma Oliveira, em entrevista para o Estadão/Broadcast. “Não é um retorno rápido, em ‘V’, mas esperamos fechar o ano dentro de patamares normais de produção. Estamos otimistas”.

Como permanência do trabalho remoto, consumidores A/B farão melhorias

Oliveira diz que a quarentena deixará como legado a popularização do home office. Para ele, isso tende a se traduzir em gastos maiores dos consumidores das classes A e B com pequenas obras, móveis e decoração dos ambientes onde vivem e, agora, trabalham.

“É inevitável, é um movimento que transcende a crise”, diz. “Podemos aproveitar bem esse movimento”.

Dois terços das vendas da Divisão Deca (louças e metais sanitários) são destinadas a reformas, não a obras novas, o que reforça a expectativa da companhia.

Fábricas retomaram atividades semanas depois de fechar

A Duratex chegou a fechar suas fábricas no fim de março, com o isolamento, que derrubou vendas, faturamento e aumentou estoques. Mas as unidades voltaram à atividade algumas semanas depois.

“A recuperação tem sido mais rápida do que o inicialmente imaginado. No começo de abril, nossa visão era trágica, mas o volume de pedidos não caiu tanto quanto imaginado”, diz ele.

Atualmente, todas as unidades estão em operação, embora com níveis diferentes de atividade em cada uma delas. Na divisão Deca, a operação é de 100%, enquanto nas de madeira e cerâmicos, está entre 60% e 70% em ambas.

Duratex não descarta aquisições

Oliveira diz que a Duratex tem cerca de 30 funcionários que se dedicam a pensar no futuro da companhia, atrás de tendências de negócios – como a popularização do home office – e projetos que tenham sinergia com os segmentos de materiais nos quais já atua.

“Se, mais à frente, tivermos oportunidades em negócios correlatos aos nossos, como foi a entrada no segmento de revestimento cerâmico (o grupo comprou em 2019 a Cecrisa, dona da marca Portinari, por R$ 1 bilhão), outros movimentos deste tipo podem acontecer. Naturalmente, tudo está meio parado agora, mas é algo que está no radar”, diz.

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