Ebanx e Hotmart adiam IPO nos EUA com piora do mercado

Ebanx e Hotmart adiam IPO nos EUA com piora do mercado

Altamiro Silva Junior

05 de fevereiro de 2022 | 10h00

Deterioração do mercado leva à mudança de planos  Foto: Andrew Kelly/ Reuters

A deterioração do mercado está levando empresas brasileiras com planos de listar ações nos Estados Unidos a mudar a trajetória. Ebanx e Hotmart, que fariam ofertas de ações em Nova York neste começo de 2022, resolveram adiar as operações por ora, à espera de um melhor momento. Já a bandeira de cartões Elo optou por engavetar os planos de listar papéis na Nasdaq e deve tentar a B3.

A Hotmart e o Ebanx vêm trabalhando internamente para o IPO (oferta inicial de ações, da sigla em inglês) desde o começo do ano passado. Criada em Minas Gerais, a plataforma de conteúdos Hotmart contratou Goldman Sachs, JPMorgan e Morgan Stanley para tocar a operação.

Já o Ebanx, que teve aporte do fundo de private equity Advent, é famoso por fazer os pagamentos da empresa de streaming Spotify e outras gigantes como Uber e Airbnb. Mas seu “par” em Nova York, a empresa de pagamentos uruguaia Dlocal, que fez o IPO na Nasdaq em junho, não vai nada bem: cai 15% em 2022. Seu papel chegou a US$ 68 no pico em setembro, mas ontem estava na casa dos US$ 30.

Oficialmente, o Ebanx informa que “alinhado com os ótimos resultados registrados no último ano, segue atento ao melhor momento de mercado para uma eventual abertura de capital”. A empresa cresceu mais de 110% em volume processado em 2021. O Hotmart diz que não comenta especulações de mercado.

Em todo o mundo

Os IPOs caíram 60% no mundo, em janeiro. Na Europa, a fintech holandesa WeTransfer suspendeu a oferta porque a demanda foi insuficiente. Nos EUA, a startup Justworks também resolveu adiar o lançamento das ações, enquanto na Coreia do Sul a construtora Hyundai Engineering não conseguiu emplacar o IPO no fim de janeiro. No Brasil, nada menos que 15 empresas desistiram até agora em 2022, incluindo Madero, Coty, Bluefit e a rede de supermercados Cencosud.

O motivo principal para a piora do mercado é o discurso mais duro que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) passou a adotar no mês passado sobre sua estratégia de alta de juros. O Bank of America já prevê sete elevações este ano nos EUA. O Goldman Sachs fala em ao menos cinco aumentos.

Além dos EUA, os juros estão em alta em várias outras partes do mundo, do Brasil à Inglaterra, passando pela Coreia do Sul. Além disso, o aumento dos riscos geopolíticos, por causa da situação na Ucrânia, e a expectativa de menor crescimento econômico mundial estão também contribuindo para o investidor preferir ativos mais seguros.

Como reflexo, esse ambiente vem penalizando as empresas com potencial de crescimento, fazendo o Nasdaq ter a maior queda em janeiro desde 2008, o ano da crise dos subprime.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 04/02/22, às 18h04.

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