Em alta na pandemia, fraudes devem levar bancos a perdas de R$ 1 bilhão em 2020

Em alta na pandemia, fraudes devem levar bancos a perdas de R$ 1 bilhão em 2020

Fernanda Guimarães e Cynthia Decloedt

26 de agosto de 2020 | 05h20

Se de um lado a pandemia trouxe aumento da digitalização, de outro aumentou – e muito – o número de fraudes no sistema bancário. O cálculo é de que as perdas para as instituições financeiras apenas neste ano sejam na casa de R$ 1 bilhão. É metade dos R$ 2 bilhões que anualmente as instituições investem em sistema de tecnologia voltados à segurança da informação, de acordo com a Febraban.

O problema não é novo, mas o aumento do uso dos canais digitais pelo brasileiro durante a quarentena elevou a escala das fraudes. O movimento já vem sendo apontado, atualmente, como uma das principais travas para a queda maior dos juros ao consumidor.

“O problema de fraude em nosso sistema financeira é gravíssimo. No auxílio emergencial, foram mais de 600 mil fraudes”, disse o presidente do Bradesco, Octávio Lazari Jr, em Conferência do Santander na semana passada.

De golpes ousados como motoboys que recolhem o cartão do banco a boletos falsos, passando por roubos de dados em sites falsos e compras irregulares, há muitas versões para as fraudes. O fato é que durante a pandemia elas deram um salto de 70%.

Para uma fonte do alto-escalão de um banco, o gasto dos bancos com fraudes, especialmente as cibernéticas, será algo que fará parte do custo bancário. Algo que os bancos já investiam, e muito, para manter essa linha sob controle. “Esse é um problema global. Essa é uma parte do custo de sermos mais digitais”, diz.

Por conta disso, os presidentes dos dois maiores bancos privados do Brasil, Bradesco e Itaú fizeram ressalvas ao processo de implementação do PIX, sistema de pagamentos instantâneos capitaneado pelo Banco Central, destacando a necessidade de que seja feito em fases. “Como uma grande transformação, deve ser feita cercada de todos os cuidados. Transferência instantânea de pagamentos exige mecanismos de segurança e controle de riscos e é isso que estamos tratando de fazer”, disse o presidente do Itaú Unibanco, Cândido Bracher, no mesmo evento.

Segundo o sócio do PGLaw e professor na Universidade de São Paulo, Carlos Portugal Gouvea, o crescimento do número de fraudes no Brasil precisa ser objeto de uma ação coordenada, já que é um dos fatores de alta no custo do crédito no Brasil.

A Febraban lançou um manual para alertar as pessoas sobre “engenharia social”, ou seja, o conjunto de métodos e técnicas (computacionais e psicológicas) empregado por golpistas para obter dados pessoais ou informações corporativas.

Em um ranking elaborado no ano passado pela Kaspersky, que desenvolve softwares de segurança, o Brasil aparece ao lado da China, como alvo de 3% de todos os ataques feitos no mundo por meio de trojans bancários, ou ‘bankers’, são um dos instrumentos mais comuns usados pelos hackers para roubar dinheiro dos internautas. O campeão é a Rússia, respondendo por 30%.

Tudo o que sabemos sobre:

fraudesBancosfebraban

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.