Em ano de recorde, bancos são obrigados a ficar com R$ 20 bi em debêntures

Em ano de recorde, bancos são obrigados a ficar com R$ 20 bi em debêntures

Cynthia Decloedt

19 de dezembro de 2021 | 05h15

Faria Lima, em São Paulo

Região da Faria Lima, centro financeiro da capital paulista   Foto: Werther Santana/Estadão

Em apenas um mês e meio, os bancos de investimento foram obrigados a comprar – ou “engavetar”, no jargão de mercado – R$ 20 bilhões em debêntures. As instituições deram às empresas que emitiriam esses títulos de dívida a garantia de que os papéis seriam adquiridos por investidores. Com os juros baixos até poucos meses atrás, os investidores avançavam fortemente atrás de alternativas para colocar os recursos. Porém, o volume excessivo de ofertas fez com que as gestoras pedissem retorno maior pelo dinheiro. Nessa queda de braço, os bancos de investimento tiveram de arcar com a compra das debêntures que os investidores acharam muito caras.

É um “gasto” que não estava previsto, em um ano especialmente bom em ganhos para os bancos de investimento, após o número recorde de ofertas de ações e outras operações. Porém, antes de entrar nas ofertas de debêntures garantidas, as instituições, evidentemente, fazem contas e têm os gastos controlados.

Embora muitas das debêntures oferecidas às gestoras fossem de empresas de primeira linha, várias emissões não foram bem-sucedidas. Mesmo assim, os números do ano foram parrudos. Desde abril, os volumes de debêntures dobraram e ficaram na casa de R$ 20 bilhões mensais, até outubro.

Em novembro, alcançaram R$ 36 bilhões, segundo números da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). No acumulado do ano até novembro, o volume de debêntures emitidas pelas empresas foi de R$ 224,7 bilhões, equivalente a 44% do total captados no mercado de capitais.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 17/12/21, às 16h31.

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