Em novo episódio da briga no Cade, Rede consegue liminar contra a Stone

Em novo episódio da briga no Cade, Rede consegue liminar contra a Stone

Aline Bronzati

12 de janeiro de 2020 | 01h50

O último capítulo da guerra das maquininhas continua dando pano para manga. A Rede, do Itaú Unibanco, obteve, nesta semana, liminar na Justiça de São Paulo contra a Stone, a proibindo de falar o que pensa sobre seus concorrentes, no intuito de reter comerciantes. A briga ocorre na esteira da ofensiva comercial da Rede, que isentou os clientes do Itaú na antecipação de transações com cartão de crédito à vista, pressionado todo o setor, que já vive um momento de intensa e crescente concorrência.

Telefone sem fio

Na tentativa de manter os clientes que ligam para cancelar as maquininhas para ir para a Rede, a Stone faz menções diretas à concorrente, acusando-a de multas, fraudes e situação ruim no mercado. As afirmações constam em transcrições anexadas ao processo aberto no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para investigar a política da número dois do setor.

Boca fechada

A liminar, obtida pela Coluna, determina que a Stone “cesse, imediatamente, os flagrantes atos de concorrência desleal”, difamando a Rede e o Itaú junto aos consumidores a partir da “propagação de informações falsas” sobre os autores ou que distorçam o procedimento investigativo no órgão antitruste sob pena de sanções processuais. Determina ainda que, caso cite a concorrente, deverá indicar a fonte de onde retirou as informações.

Mudança de planos

Depois de ter agitado o mercado com a isenção de taxas somente a clientes do Itaú e Tribanco, em maio do ano passado, a Rede decidiu ampliar o benefício para todos no fim do ano passado. A mudança de rota ocorreu após o Cade ter aberto um processo para investigar sua conduta, bastante criticada pelos concorrentes.

Com a palavra

Procurada, a Rede não comentou. Já a Stone disse que “aventuras jurídicas que movimentam desnecessariamente o, já sobrecarregado, Poder Judiciário e tiram o foco do que deveria ser o objetivo final de qualquer empresa (a satisfação do cliente), são só artifícios pueris para que se encubram deletérias práticas anticompetitivas correntemente praticadas e identificadas pelas autoridades competentes”. Afirmou ainda que sua atuação e de seus colaboradores é pautada em prol da competição e eficiência da indústria de meios de pagamento, de acordo com a legislação e normas. Por fim, garantiu que segue concentrando seus esforços nos assuntos que tangem e beneficiam o cliente final. “Neste sentido, a Stone mantém seu propósito de estar sempre ao lado do empreendedor brasileiro e seu compromisso de atuar com total transparência e na defesa da justa competição”, concluiu.

 

 

14:04:53

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: