Em preparação para o IPO, grupo Move3 compra startup e prevê aquisições

Em preparação para o IPO, grupo Move3 compra startup e prevê aquisições

Talita Nascimento

12 de abril de 2022 | 05h20

Guilherme Juliani, CEO a MOVE3 Foto: MOVE3/divulgação

A caminho de uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), a empresa de logística Move3 adquiriu a startup Go X Crossborder, especializada em soluções para internacionalização e gestão de comércio eletrônico. A empresa opera a expansão de marcas brasileiras para a Europa por meio de presença em marketplaces (shoppings virtuais) ou em e-commerces próprios. O valor da transação não foi revelado, mas faz parte de uma cifra de R$ 50 milhões da holding destinada a fusões e aquisições em 2022. A Move3 deve anunciar outra compra em breve, diz o CEO Guilherme Juliani, além de criar um fundo para investimento em startups, no modelo conhecido como corporate venture capital.

Com previsão de receita de R$ 1,1 bilhão em 2022, a companhia prepara operações no mercado de capitais para sustentar os planos de crescimento. A empresa deve fazer uma emissão de debêntures para ajudar a financiar a modernização do centro de distribuição de São Bernardo do Campo e ainda trilha a rota de preparação para ingressar na Bolsa.

Segundo Juliani, os planos do IPO ficaram frustrados para 2022 pela condição de mercado atual e pela proximidade das eleições. A previsão é ir a mercado em 2023. “Estamos no caminho do IPO. Nesse caminho, várias coisas acontecem paralelamente. Temos bancos, bancos de investimento que começam a nos apresentar uma série de oportunidades de negócios, como debêntures e fundos de investimento pré-IPO”, afirma.

O grupo Move3 tem entre os clientes grandes empresas, como Itaú, Nubank, Arezzo, Havaianas e indústrias farmacêuticas. A empresa era parceira de negócios da Go X Crossborder há dois anos, uma vez que a Moove+ Portugal (que pertence à Move3) realizava a logística das empresas parceiras da GoCross, enquanto a startup atuava no armazenamento e fullfilment (conjunto de operações e procedimentos desde o recebimento do pedido até o momento da entrega do produto ao cliente final) das encomendas da Moove+ Portugal.

Expansão

Para Juliani, a aquisição viabiliza a expansão da holding não só no mercado de Portugal, como também em toda a Europa, inclusive para clientes brasileiros da carteira nacional do grupo interessados em internacionalizar a sua marca.

Para Guilherme Andrada, sócio-fundador da startup investida, as marcas brasileiras têm potencial para explorar o mercado europeu, especialmente em um momento em que a reputação de produtos asiáticos está arranhada. “O e-commerce europeu é 24 vezes maior que o brasileiro e 30% dele é de cross border (comércio transfronteiriço online). Com o real desvalorizado, o fato de não haver incidência de imposto para exportação e o poder de compra elevado do público europeu, os produtos de vestuário brasileiros podem ser muito competitivos”, afirma Andrada. A startup tem clientes como Redley, Embelleze, Starke e Alphabeto nesse processo de internacionalização.

“Nós fazemos a parte braçal da logística”, diz Juliani, da Move3. A empresa está expandindo para 3,5 mil metros quadrados o seu centro de distribuição em Portugal, mas diz que a operação europeia ainda não tem demanda para grandes investimentos em maiores espaços físicos.

Já no Brasil, a empresa faz um trabalho de ampliação com um novo centro de distribuição em São Bernardo do Campo, com investimentos em automatização. Em conversa com a reportagem, Juliani desceu ao chão do local com o celular para mostrar os robôs movimentando as mercadorias de um lado para o outro. Para esse investimento, a Move3 tem separados cerca de R$ 70 milhões.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 11/04/22, às 14h52.

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