Em primeiro balanço pós-IPO, Nubank trará perdas, mas tendência de melhora

Em primeiro balanço pós-IPO, Nubank trará perdas, mas tendência de melhora

Matheus Piovesana

22 de fevereiro de 2022 | 05h15

Projeções indicam que banco ultrapassou 50 milhões de clientes   Foto: JF Diorio/Estadão

Em sua primeira divulgação de resultado como empresa de capital aberto, o Nubank ainda deve apresentar prejuízo, de US$ 79 milhões, e manter perdas inclusive no critério ajustado, segundo a média das estimativas de quatro casas (BTG Pactual, Citi, Itaú BBA e UBS BB). Tão importantes quanto a última linha do balanço, porém, serão as tendências operacionais, como o crescimento da base de clientes. A inadimplência será outro ponto de atenção no balanço que será divulgado hoje após o fechamento do mercado.

Os cálculos dos analistas para o lucro sem ajustes incluem previsões de despesas não recorrentes relacionadas à abertura de capital da fintech, realizada em dezembro, como a dos planos de remuneração de executivos com base em ações. No terceiro trimestre, na mesma linha, o Nubank teve prejuízo de US$ 34,4 milhões. Parte do mercado acredita, porém, que esse efeito pode ser anulado pela sazonalidade das operações.

“O neobanco provavelmente terá lucro em um trimestre sazonalmente forte para a maior fatia de suas receitas (o intercâmbio de cartões)”, escrevem Pedro Leduc, Mateus Raffaelli, Marco Calvi e William Barranjard, analistas do Itaú BBA. O banco projeta que o lucro líquido reportado do Nubank será de R$ 81 milhões no quarto trimestre, e que pelo critério ajustado, chegará a R$ 376 milhões – as estimativas foram feitas em reais. O Itaú BBA é o único das instituições consultadas a estimar resultado positivo mesmo sem ajustes.

O Nubank divulga balanços em reais e dólares, e afirma que a moeda americana reflete melhor suas tendências de desempenho, dado que opera em diferentes países da América Latina além do Brasil.

Por outro lado, o BBA espera ver os primeiros sinais de deterioração da qualidade de ativos diante da desaceleração da economia brasileira. O banco projeta que o índice de inadimplência dos clientes do Nubank subirá de 3,3% para 3,6% entre o terceiro e o quarto trimestres. “Os principais indicadores de inadimplência continuam a se deteriorar rapidamente, e a taxa Selic está pressionando o financiamento, colocando um risco para o lucro e o apetite de crescimento”, afirmam os analistas.

O Citi projeta elevação de 3,3% para 3,4%. Uma divergência entre as projeções vem do índice de cobertura. O BBA espera que ele se mantenha nos 244% observados em setembro, graças a um aumento de 13% nas despesas com provisões. O Citi, porém, projeta queda de 19 pontos porcentuais no mesmo intervalo.

A carteira de crédito da fintech também deve se expandir. Em dólares, o UBS BB espera alta trimestral de 13,7%, enquanto o BBA projeta expansão de 12%, em reais. “Projetamos que o crédito pessoal representará 9% dos empréstimos totais (versus 6% no quarto trimestre de 2020)”, afirmam Thiago Batista, Olavo Arthuzo e Philip Finch, do UBS.

Mais de 50 milhões

Um dos números mais aguardados será o da base de clientes, que chegavam a 48,1 milhões no terceiro trimestre, a ampla maioria no Brasil. O mercado acredita que essa base ultrapassou os 50 milhões ainda em 2021. O UBS BB, por exemplo, projeta que serão 52 milhões de clientes, alta de 57% em um ano, mas ligeiramente abaixo da média de crescimento trimestral apresentada pelo Nubank entre o fim de 2019 e setembro do ano passado.

A receita por usuário deve ser outro ponto observado: através dela, o mercado medirá o progresso do Nubank no engajamento de seus clientes e sua capacidade de gerar receitas a partir de sua ampla base. Entre as fintechs globais com as quais é comparado, como a russa Tinkoff, o Nubank tem uma das maiores clientelas, mas uma das menores receitas por usuário em dólar.

O UBS espera receita de US$ 5 por usuário, ante os US$ 4,9 por cliente que o neobanco reportou no trimestre encerrado em setembro. O Citi tem a mesma expectativa, mas a projeção para a base de clientes é menor, com 51 milhões.

“Além disso, o rápido crescimento deveria também pressionar os custos. Tudo contabilizado, a forte adição de clientes e o lançamento de produtos ainda deveriam pressionar os lucros para estes bancos”, afirmaram Jörg Friedemann, Ashwin Shirvaikar, Gabriel Nóbrega e Rebecca Lu, analistas do Citi, em comentário também estendido ao Banco Inter.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 21/02/22, às 12h08.

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