Emissão com critério ESG por brasileiras supera mercado hostil e faz sucesso no exterior

Emissão com critério ESG por brasileiras supera mercado hostil e faz sucesso no exterior

Altamiro Silva Junior

09 de janeiro de 2022 | 05h15

Banco do Brasil captou US$ 500 milhões no exterior   Foto: Ed Ferreira/AE

As emissões com critérios sustentáveis de empresas brasileiras fizeram sucesso no exterior na primeira semana de 2022, mesmo com o susto no mercado causado pela postura mais dura do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sobre a elevação da taxa de juros nos Estados Unidos. O Banco do Brasil emitiu US$ 500 milhões lá fora em papéis com critérios sociais e a demanda chegou a superar a oferta em três vezes. Já na Globo Comunicação, dona da TV Globo, a procura pelos bônus, em que o grupo se comprometeu a reduzir a emissão de gases do efeito estufa, bateu em US$ 1,1 bilhão. E com o sucesso dessas ofertas, a fila de companhias brasileiras para captar recursos lá fora está aumentando. Nomes como Bradesco, JBS, Açu Petróleo e 3R Petroleum devem lançar papéis ainda este mês.

Das ofertas na agulha, apenas a da Açu Petróleo não deve ter critérios sociais, ambientais ou de governança, que formam a sigla ESG em inglês. O grupo já contratou Bank of America, Bradesco BBI, Itaú BBA, Goldman Sachs e Santander para tocarem a emissão e já chegou a fazer encontros com investidores internacionais. Nas mesas de operação, comenta-se ainda que o Bradesco deve ir ao mercado externo logo, em operação que terá entre os bancos coordenadores o BBI e UBS BB. Já a oferta da JBS deve sair depois da primeira quinzena do mês.

Sustentabilidade

Das sete emissões feitas por empresas da América Latina na primeira semana de 2022, quatro tiveram critérios de sustentabilidade. O BB foi o primeiro banco da região a lançar um “social bond”, um papel em que a instituição se compromete a usar os recursos captados para dar crédito a pequenas empresas, para educação e agricultura familiar ou de menor porte. A Globo, que captou US$ 400 milhões, começou a emitir sinalizando juro 6%, mas conseguiu colocar a operação com taxa de retorno de 5,75%.

Com a demanda alta, o Banco do Brasil tinha espaço para aumentar o tamanho da oferta, mas para pagar um juro menor aos investidores preferiu captar US$ 500 milhões, em papéis com 7 anos de prazo. Assim, conseguiu pagar cupom (juro nominal) de 4,875%, abaixo dos 5% inicialmente sinalizado ao mercado externo. Mesmo assim, as taxas para captar já estão ficando um pouco mais salgadas, seguindo a tendência de elevação de juros pelos bancos centrais ao redor do mundo. Em setembro de 2021, o BB pagou juro de 3,2% para emitir títulos de 5 anos.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 07/01/22, às 16h39.

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