Empresas brasileiras captam US$ 7,3 bi no exterior em janeiro, melhor mês desde 2011

Empresas brasileiras captam US$ 7,3 bi no exterior em janeiro, melhor mês desde 2011

Altamiro Silva Junior

27 de janeiro de 2020 | 11h08

As emissões externas de empresas brasileiras caminham para superar US$ 7,3 bilhões este mês, bem acima de janeiro do ano passado, quando ocorreu apenas uma oferta de bonds (títulos de dívida emitidos lá fora), que somou US$ 750 milhões. É o maior nível desde 2011. Companhias que não acessavam o mercado externo há anos, como a Eletrobrás, voltaram a buscar recursos lá fora. A elétrica começou na sexta-feira uma série de apresentações no exterior para tentar captar US$ 1,750 bilhão, em reuniões que vão até quarta, 29.

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Esta semana, o Bradesco captou US$ 1,6 bilhão e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) levantou US$ 1 bilhão. Com forte demanda, as duas empresas conseguiram vender os papéis a taxas menores do que o inicialmente sinalizado ao mercado. No caso do Bradesco, as ordens de compra dos bonds superaram US$ 4,5 bilhões. Na semana passada, quatro empresas brasileiras – Itaú Unibanco, Klabin, Globo Comunicação e Rede D’Or – captaram US$ 3 bilhões. Na emissão da Globo, a demanda chegou a ser dez vezes maior que a oferta.

Segundo executivos de bancos de investimento, as companhias estão aproveitando uma janela para emissões externas que tem permitido operações raramente vistas para empresas de emergentes. A petroleira mexicana Pemex conseguiu captar esta semana emitindo papéis com prazo 40 anos e a demanda chegou a cinco vezes o tamanho da oferta. Títulos de empresas de outros mercados, como Paraguai e Peru, também têm atraído compradores. Esta semana, a Telefónica Celular del Paraguay (Telecel) conseguiu captar US$ 250 milhões, reduzindo as taxas em cerca de 100 pontos-base na comparação com uma emissão anterior.

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Melhor em nove anos. Em janeiro do ano passado, dados da Anbima mostram que houve apenas uma emissão externa, da Suzano, de US$ 750 milhões, uma queda de 83% em relação a janeiro de 2018 (US$ 4,4 bilhões). Em janeiro de 2017 as emissões somaram US$ 5,2 bilhões e no primeiro mês de 2016 não houve operações, em meio à crise política que levou ao impeachment de Dilma Rousseff.

As empresas começaram 2019 preferindo captar no mercado local, por conta da tendência de queda dos juros aqui, enquanto as taxas no exterior ainda estavam mais altas. Naquele mês, as captações no mercado local somaram R$ 7,4 bilhões, após emissões de R$ 22 bilhões em dezembro de 2018.

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Ao longo de 2019, as taxas de juros caíram no Brasil, mas também recuaram no exterior. Só o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) fez três cortes de juros, o que, segundo um gestor, não só reduziu o custo de captação das empresas, mas estimulou a procura por investidores de títulos corporativos de empresas de países emergentes. No Brasil, a perspectiva de melhora fiscal levou a queda forte dos prêmios de risco, ajudando a reduzir os custos de captação. O Credit Default Swap (CDS, título que mede a credibilidade de um pagador) de cinco anos recuou do nível de 210 pontos para menos de 100 pontos, voltando aos menores patamares em 10 anos.

Com a queda das taxas, muitas empresas, como a CSN, Klabin e a Eletrobrás, estão aproveitando o momento atual para captar e repagar dívidas emitidas anteriormente. A CSN pretende recomprar US$ 433 milhões emitidos anteriormente. A Klabin conseguiu captar na semana passada oferecendo taxa de retorno (“yield”) de 6,1%, abaixo do que a companhia pagou no começo de 2019 quando captou US$ 500 milhões com vencimento em 2049, de 7,125%.

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Para um diretor de tesouraria de um banco, a liquidez está alta nos países desenvolvidos e os bancos de investimento estão aproveitando para fazer as operações neste começo de ano, temendo que as eleições americanas, que prometem ser disputadas, atrapalhem o mercado.

Com a busca por retorno, governos também têm procurado aproveitar o momento para emitir títulos soberanos. A Colômbia lançou ontem US$ 1,8 bilhão. Chile, México, Paraguai e República Dominicana foram ao mercado externo nos últimos dias para tomar recursos.

Notícia publicada no Broadcast no dia 24/01/2020, às 16:07:15

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