Empresas captam, só este ano, R$ 15 bi para aquisições nos IPOs e negócios fervem

Empresas captam, só este ano, R$ 15 bi para aquisições nos IPOs e negócios fervem

Altamiro Silva Junior e Cynthia Decloedt

25 de agosto de 2021 | 05h20

Empresas captaram recursos em IPOs e devem ir às compras Foto: Daniel Teixeira/Estadão

As empresas brasileiras estão com bala na agulha para irem às compras. Após uma enxurrada de ofertas de ações, as companhias captaram R$ 15 bilhões a serem destinados a fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) e compras de outros ativos, considerando-se apenas o valor de 2021, até julho.

Para banqueiros de investimento, a tendência é de compras fervilhando nos próximos meses. Com empresas capitalizadas e tentando consolidar seus setores – especialmente em varejo e saúde -, e algumas procurando antecipar operações para evitar a volatilidade com o cenário eleitoral de 2022 e possíveis efeitos da reforma tributária, a expectativa é de recorde de negócios.

Especificamente para financiar fusões e aquisições, as empresas captaram R$ 3,5 bilhões este ano em ofertas de ações – em aberturas de capital (IPO, na sigla em inglês) e via follow on (oferta subsequente) -, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Há ainda mais R$ 11,2 bilhões conseguidos junto a investidores para o que as companhias descrevem nos prospectos como “compras de ativos/atividade operacional”, o que inclui também as M&A.

A Viveo, distribuidora de medicamentos e materiais médicos, que captou R$ 2 bilhões em seu IPO, comprou duas empresas de saúde só na última semana, a Profarma Specialty e a Cirúrgica Mafra, por R$ 900 milhões. Nas novas ofertas em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Lupo, fabricante de roupas íntimas e artigos esportivos, e a de alimentos Dori já avisaram que vão usar parte dos recursos para fusões.

“Máquinas de M&A”

O movimento é tão intenso que algumas companhias que captaram no mercado de ações, como Rede D’Or, Intermédica e Hapvida vêm sendo chamadas pelos banqueiros de investimento como “máquinas de fazerem M&A” – e seguem comprando. Muitas querem ser consolidadoras para não serem engolidas pelos concorrentes.

“Grande parte dos recursos levantados nas captações estão indo para investimentos, seja orgânico ou fusões e aquisições”, afirma o responsável pela área de banco de investimento do Bradesco BBI, Felipe Thut. As operações de M&A foram afetadas em 2020 pela pandemia, pois a incerteza acabou colocando algumas delas na gaveta. Mas, desde o fim do ano passado, foram retomadas, quando se percebeu que a pandemia não teve o impacto econômico e financeiro tão devastador como se esperava. Com a liquidez farta no mundo, o acesso ao capital segue mais fácil do que no passado.

Thut é um dos que preveem volume recorde de M&A este ano, com os negócios se acelerando até dezembro. Em anos anteriores a períodos de eleitorais, empresas costumam antecipar operações. “O M&A está em uma tendência muito positiva”, diz ele.

Muitas das empresas que captaram via emissões de ações este ano já têm histórico de aquisições forte, segundo o presidente no Brasil do Morgan Stanley, Alessandro Zema. “Empresas que têm como parte da estratégia o crescimento via M&A vão continuar fazendo suas aquisições e várias delas estão muito capitalizadas”, afirma.

Não apenas bancos de investimento estão otimistas com as fusões e aquisições. A BR Finance, butique de M&A, tem seis transações em andamento que devem ser fechadas este ano, e vê a tendência de consolidação em setores como saúde e varejo de vestuário em alta, afirma seu sócio-fundador, Osias Brito. “Para empresas de maior qualidade, não temos tido dificuldade de achar investidor”, afirma. Para ele, porém, o cenário para o Brasil está se desenhando “mais desafiador”, com questões do lado econômico e ruídos políticos.

Risco eleitoral

A expectativa dos banqueiros é a de que, pelo menos até o primeiro semestre de 2022, o mercado siga aquecido, mesmo com o aumento da temperatura em Brasília. Para os especialistas, a volatilidade já faz parte do pano de fundo das operações no País. Ainda que o ruído político se acentue, não deve colocar de molho as transações que estão em andamento.

O que poderia mudar o cenário seria a antecipação de alta no juro dos Estados Unidos, de acordo com os especialistas. De toda a forma, o que a crise local já produz é uma concentração das transações majoritariamente entre investidores locais ou estrangeiros já presentes no País.

As transações no segmento de infraestrutura, por exemplo, sofrem com a ausência de investidores estrangeiros. A área exige aportes maiores e muitos dos competidores que já operam no País fizeram aquisições ou entraram em leilões recentemente.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 20/08/21 às 14h11.

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