Empresas correm para fechar balanço e pelo menos 10 IPOs podem ocorrer em setembro

Empresas correm para fechar balanço e pelo menos 10 IPOs podem ocorrer em setembro

Por Fernanda Guimarães

08 de julho de 2020 | 05h00

Foto: Fernanda Guimarães/Estadão Conteúdo

Na última semana, um grupo de empresas começou a correr junto com seus auditores para fechar o balanço do segundo trimestre do ano, aquele cheio de cicatrizes provocadas pela pandemia da covid-19. O demonstrativo financeiro atualizado é um dos documentos que as candidatas a estrearem na bolsa de valores brasileira em setembro ou outubro precisam ter em mãos para seguir com os trâmites burocráticos. Depois que a crise colocou em março mais de duas dezenas de ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) na gaveta, a ampla liquidez dos mercados globais e o crescente apetite dos investidores por ativos de maior risco, tal qual ações, está fazendo com que a fila de ofertas comece a andar em um ritmo acelerado, com mais de dez estreias programadas para a próxima janela – número que pode subir. Para o segundo semestre como um todo, entre IPOs e ofertas subsequentes, estão na fila de 30 a 50 ofertas de ações.

Mesmo que as incertezas em relação aos efeitos na pandemia ainda sejam grandes, muitas empresas estão olhando possibilidades de consolidação, por exemplo, e querem acessar recursos no mercado para colocarem em prática seus planos de crescimento. “As empresas querem dar continuidade aos seus planos de crescimento, que foram interrompidos em março, momento que ficaram focadas em suas operações. Agora, tanto as empresas estão buscando captar, quanto os investidores estão disponibilizando o capital. Nesse momento muitas empresas já estão olhando para frente e mirando crescimento”, destaca o chefe de mercado de capitais e renda variável para América Latina do Morgan Stanley, Eduardo Mendez.

Para setembro, são aguardados nomes como a rede varejista Quero-Quero, Grupo Soma, Petz, You Inc, que já estavam com os pedidos para a realização de um IPO feito junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mas outras candidatas engrossaram a fila, como a rede de farmácias Pague Menos, banco BR Partners, a d1000, da Profarma. Em meio à pandemia, Estapar e a fabricante de ouro Aura Minerals já abriram capital. Nesta semana também será a vez da Ambipar, empresa de gestão ambiental que atua no Brasil e exterior. No fim do mês a Riva9, da Direcional Engenharia, faz seu debute na bolsa brasileira. As demais decidiram esperar o fechamento dos dados do intervalo de abril a junho para lançarem suas ofertas.

O advogado da área de mercado de capitais do escritório BMA, Felipe Prado, afirma que, neste momento, as empresas correm para fechar os dados do segundo trimestre para entrega ou atualização da documentação junto ao regulador. “O resultado do segundo trimestre já refletirá de forma mais fiel os efeitos da pandemia e muitas têm mais conforto em fazer a oferta com esse resultado em mãos. As empresas e os auditores estão bastante engajados para fecharem o balanço o mais rápido possível”, afirma. Outra atualização que as empresas farão em suas documentações da oferta, frisa o especialista, são os fatores de risco, com aqueles relacionados ao novo coronavírus ocupando a primeira colocação entre os riscos da oferta e da empresa que precisarão ser evidenciados aos investidores.

O responsável pelo banco de investimento do Bradesco BBI, Alessandro Farkuh, conta que a carteira de ofertas hoje já está muito parecida com a observada antes da crise, diante de um ritmo acelerado de retomada do mercado de capitais após a pandemia. O executivo comenta que os investidores estão muito abertos para ouvirem as histórias das companhias, mesmo que o nível de criticismo em relação aos negócios das candidatas esteja maior. “Mas para as empresas com uma tese sólida há muito apetite por parte dos investidores. O fluxo de capital está muito grande e existe, até mesmo, ‘briga’ por alocação nas ofertas”, frisa. Essa disputa ocorre naquelas ofertas muito concorridas, na qual as ações precisarão ser divididas entre os investidores, visto que a demanda nas últimas operações superou em múltiplas vezes o volume ofertado.

Uma das dúvidas, há algumas semanas, era como seria a precificação das ofertas, tendo em vista a crise que eclodiu com a pandemia. No entanto, segundo Farkuh, investidores estão, nesse momento, priorizando 2021 na hora de calcularem o preço justo de uma empresa.

Mais por vir

O chefe da área de banco de investimentos do Credit Suisse, Bruno Fontana, comenta que os investidores, ao analisarem a empresa, estão atentos para o plano de crescimento e analisam com lupa qual a destinação dos recursos em uma oferta primária, que é aquela que injeta recursos no caixa da companhia. “Agora as empresas estão com uma agenda de crescimento, olhando o cenário de consolidação. Para essas teses estamos tendo muita receptividade com os investidores”, destaca o executivo. A carteira de empresas que podem acessar o mercado via oferta de ações ainda no segundo semestre está entre 30 e 50, segundo ele. “Para boas histórias há muita demanda dos investidores”.

O presidente do Morgan Stanley no Brasil, Alessandro Zema, afirma que após essa janela, novembro, dezembro e o início de 2021 também prometem ser aquecidos. Nessa primeira leva de IPOs, prevê, virão as companhias que já estavam mais preparadas, mas outras já estão com a mão na massa para buscarem recursos na bolsa. “O processo de um IPO dura cerca de quatro meses então é possível que algumas ofertas que não puderem vir em setembro ou outubro venham um pouco depois”, destaca o executivo.

Antes dos IPOs, as ofertas subsequentes, os follow ons, ganharam ritmo desde maio, Já emitiram ações na B3 para colocar dinheiro em caixa Via Varejo, Centauro e, BTG Pactual. Já lançaram oferta, ainda, a Lojas Americanas e JHSF, emissões que serão concluídas ainda neste mês.

O diretor de Relacionamento com Clientes da B3, Rogério Santana, lembra que ainda há muita incerteza em relação à economia global, mas é natural que o mercado de capitais antecipe o movimento de retomada. Além da grande liquidez nos mercados, Santana destaca que o novo ambiente de juros no Brasil coloca a bolsa como uma relevante opção para financiamento das companhias. “Os investidores estão buscando mais diversificação e isso passa pelo mercado de capitais”, frisa.

Esta matéria foi publicada no Broadcast no dia 07/07 às 15:03:34

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