Empresas de saúde encontram investidor seletivo e saturado e repensam IPOs

Cynthia Decloedt

11 de agosto de 2021 | 15h12

Investidor observa tela de ações na Bolsa. Foto: Werther Santana/Estadão

Depois de várias ofertas iniciais de ações (IPO, da sigla em inglês) e ofertas subsequentes na casa de bilhões de gigantes do setor de saúde como Dasa, Hapvida e Rede D’Or, outras empresas do setor tiveram de mudar seus planos de captação via Bolsa. A companhia de planos Athena Saúde (investida do Pátria Investimentos), a fornecedora de soluções digitais em nuvem Bionexo, a farmacêutica Teuto e a rede Hospital Care desistiram de suas ofertas.

As desistências estão relacionadas aos descontos que os investidores pediram em conversas prévias às transações. Segundo uma fonte que pediu para não ser identificada, Hospital Care não saiu porque teve muito ‘push back’ (desacordo) dos investidores. “Operacionalmente eles ainda estão patinando”, disse.

Investidores teriam pedido muito desconto também para levar as ações da Kora Saúde. Após suspender seu IPO em abril, a companhia recalibrou a operação e partiu para uma oferta restrita que pode movimentar R$ 834 milhões. O anúncio da nova tentativa de oferta foi feito semana passada.

A Viveo, que também tinha suspendido sua oferta, seguiu com uma distribuição restrita. Enquanto a intenção era movimentar mais de R$ 2 bilhões, a empresa levantou R$ 1,8 bilhão, já que os investidores aceitaram ficar com as ações no piso. Ao reativar a oferta, a companhia assegurou compromissos de investimento com investidores âncora GIC Pte Ltd. e Siguler Guff & Company, LP, e, em conjunto com GIC.

Na semana passada, a Oncoclínicas fixou o preço de suas ações no IPO abaixo da faixa indicativa, a R$ 19,75, e levantou R$ 3,6 bilhões, pouco mais do que a metade do que esperava quando iniciou o processo da oferta.

O excesso de ofertas, não só do segmento de saúde, mas do mercado em geral, e a pequena quantidade de profissionais para analisar todas as operações, prejudicaram as novas ofertas, de acordo o sócio de uma gestora de Private Equity que tem investimentos em saúde e preferiu ficar no anonimato.

Além disso, os gestores procuram entender qual será o resultado dos investimentos dos grandes grupos de saúde. “O mercado está querendo ver qual será o impacto no valor das ações da integração e operações recentes de M&A, especialmente em hospitais”, afirmou outra fonte que também preferiu não aparecer.

O impacto da notícia de que o governo autorizou um reajuste negativo de pouco mais de 8% nos planos de saúde individuais e familiares também teria deixado os investidores avessos ao setor. O reajuste foi anunciado no início de julho. A notícia pesou sobre os preços das ações do segmento em Bolsa e acentuoua cautela dos investidores em ingressarem em novas ofertas.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 09/08/2021 às 18h32

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