Empresas fazem fila e oferta de ações pode somar R$ 120 bi em 2020, em novo recorde

Empresas fazem fila e oferta de ações pode somar R$ 120 bi em 2020, em novo recorde

Fernanda Guimarães

17 de dezembro de 2019 | 04h42

A fila de empresas que preparam estreia na B3 em busca de recursos está robusta e bancos de investimento preveem que o volume de ofertas de ações para o próximo ano, incluindo as subsequentes (follow ons) e ofertas iniciais (IPO, na sigla em inglês), alcance os R$ 120 bilhões, marcando novo recorde para o mercado de renda variável no Brasil. A projeção é de que, ao contrário do observado neste ano, as estreantes na bolsa ganhem peso maior, o que pode ser notado no número de companhias que já estão com bancos contratados para estrearem como empresa de capital aberto.

Para ofertas já no início do ano que vem, três companhias já estão com o pedido de registro feito na Comissão de Valores Mobiliários (CVM): a de hospedagem de sites Locaweb, a Mitre e a Moura Dubeux, ambas construtoras.  Dentre as que já estão com bancos contratados para estrear na B3 no próximo ano estão, por exemplo, a empresa catarinense de shoppings Almeida Junior, o birô de crédito Boa Vista SCPC, as construtoras Kallas e Cury.

Outra oferta que deve desenrolar já no primeiro trimestre do ano que vem é a do Banco Votorantim. A Petrobras também já abriu sua intenção de levar a Gaspetro à bolsa no segundo semestre do ano que  vem.

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Dão volume à lista os IPOs de empresas da Caixa Econômica Federal: Seguridade, Cartões e gestora. Já entre as ofertas subsequentes, as vendas de ações por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) devem ganhar a cena, abrindo o ano com a esperada oferta do frigorífico JBS, que deve ocorrer já em janeiro. Uma das maiores ofertas do ano, encabeçada pela banco de fomento, deve ser a venda de ações da petroleira.

O sócio responsável pela área de renda variável do BTG Pactual, Fabio Nazari, afirma que as mais de 30 ofertas subsequentes que ocorreram em 2019 na bolsa brasileira demonstraram que o mercado de capitais do País está funcional. Essas ofertas, segundo ele, devem funcionar como “abre-alas” para os IPOs esperados para o ano que vem. “Há muita empresa se preparando para uma oferta em 2020 e já estamos, inclusive, montando a carteira para ofertas em 2021”, diz Nazari. O executivo fala, ainda, que o mercado está entrando em um cenário mais construtivo, diante de um pano de fundo de recuperação dos resultados das companhias.

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A intensa movimentação das companhias rumo ao mercado de capitais está refletida na carteira dos bancos. O responsável pelo Bradesco BBI, Alessandro Farkuh, afirma a carteira de empresas no banco para lançarem ofertas é a maior da história. “Temos uma carteira com muitas transações para serem concretizadas ao longo do primeiro e segundo trimestre de 2020”, diz. Segundo ele, a expectativa é que as ofertas ocorram de forma uniforme ao longo de todo o ano.

Bons ventos. Até por conta da expectativa de melhora também da economia, as empresas têm começado a tirar da gaveta planos de investimentos, como aconteceu no setor imobiliário e de consumo, de acordo com o chefe de mercado de capitais e renda variável para Brasil do Morgan Stanley, Marcello Lo Re. Ele diz que, no primeiro semestre, o componente primário das ofertas foi da ordem de 25%, chegando a 40% na segunda metade do ano e evidenciando uma mudança do perfil das ofertas e maior intenção de investimentos nos negócios.

O presidente do Morgan Stanley no Brasil, Alessandro Zema, afirma que esse aumento da participação das emissões primárias ocorre em um momento que sucede um amplo movimento de desalavancagem das companhias, que agora estão com os balanços preparados para uma nova fase de investimentos. Nos últimos anos, algumas empresas, inclusive, realizaram ofertas de ações para levantar recursos para o pagamento de dívidas.

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Farkuh, do BBI, afirma que foram observadas mais ofertas subsequentes, mais céleres e fáceis de serem oferecidas no mercado. Mas os bancos já estão trabalhando em preparações de aberturas de capital, o que deve se consolidar já nos próximos meses.

Neste ano, a bolsa brasileira foi palco de aproximadamente R$ 84 bilhões  em ofertas de ações, com 39 operações até aqui, sendo que foram apenas cinco IPOs. Esse número deve ainda se aproximar dos R$ 90 bilhões, com as ofertas que serão precificadas até o fim desta semana semana, com Unidas, Marfrig e Restoque. O número exclui as emissões realizadas fora do País, como a da XP Investimentos.

Apetite. Os investidores locais devem seguir mostrando bastante apetite nas emissões de ações no Brasil, mas as ofertas maiores contarão com a presença dos estrangeiros, que embora ainda cautelosos em relação ao País, começaram a marcar presença mais expressiva nas ofertas brasileiras. Nazari, do BTG, afirma que no início do ano os investidores locais estavam abocanhando 80% das ofertas, mas que, agora, já começa a ser observado maior equilíbrio nessa divisão. Além disso, o perfil dos gringos que começaram a marcar presença nas ofertas de ações nos últimos meses tem mudado para aqueles de mais longo prazo. “É apenas a ponta do iceberg. Já estamos vendo os gringos com mais força e mais qualidade”, disse.

Para Christian Egan, diretor-executivo de Mercados Globais e Tesouraria do Itaú BBA, o Brasil deve voltar a atrair investidores em 2020. “O principal fator para a volta do investidor estrangeiro está nas projeções do PIB”, afirmou.

Independente da força dos estrangeiros, os fundos locais mantêm força para garantirem demanda para as ofertas de ações, como já ficou provado ao longo de 2019. O fluxo de entrada de recursos aos fundos tem sido grande, com a busca dos investidores por maior rentabilidade em tempos de juros baixos.

Até novembro, os fundos de ações superaram os multimercados e alcançaram a maior captação líquida da indústria neste ano: R$ 67,5 bilhões, alta de 171,9% sobre o mesmo período do ano passado. “Esse excesso de liquidez local continua. A migração de renda fixa para renda variável mal começou”, afirma o executivo do Bradesco BBI.

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