Empresas montam planos de contingência e comitês para evitar ameaça de apagão

Empresas montam planos de contingência e comitês para evitar ameaça de apagão

Wagner Gomes, Wilian Miron, Denise Luna e Talita Nascimento

12 de agosto de 2021 | 05h05

Empresas temem possibilidade de corte compulsório de energia em horário de pico Foto: MARCELO MIN/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

A Klabin mostrou com todas as letras, nesta quarta-feira, uma das principais preocupações da indústria brasileira atualmente. A fabricante de papel e celulose disse ter montado um plano de contingência para tentar minimizar os efeitos de uma possível falta de energia, com a seca histórica que assola o País. Organizou, inclusive, um comitê que monitora o tema de maneira permanente.

“O cenário é bem preocupante”, disse Flávio Deganutti, diretor de Papéis da Klabin. “Monitoramos todo o País e temos, em conjunto a entidades que nos apoiam neste tema e planos de contingência.” Segundo ele, a iniciativa considera que, em momentos de pico de demanda, a empresa teria como reduzir a produção sem afetar sua capacidade.

A Klabin não é a única a se movimentar. A Rhodia, do setor químico/têxtil, é outra que tem acompanhado de perto a situação. Monitora permanentemente o volume dos reservatórios que abastecem suas fábricas em Paulínia, interior de São Paulo, inclusive por meio de Câmaras Técnicas e especialistas. A empresa integra o consórcio intermunicipal PCJ (das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), que trabalha para tentar aproveitar melhor os recursos hídricos da região. Desde a grave crise de 2014/2015, a Rhodia investiu na redução da captação de água, mesmo com o aumento da produção.

Na mesma linha, a Ambev tem acompanhado a situação e os possíveis impactos – e olhado com mais cuidado a questão elétrica, principalmente para os próximos semestres. Nos últimos anos, a cervejaria substituiu o consumo de combustíveis fósseis por óleo vegetal, biomassa e biogás. Até o fim do ano, os centros de distribuição serão abastecidos por usinas solares, entre outros investimentos para depender menos do sistema.

Empresas assustadas

Segundo Paulo Pedrosa, presidente da Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), há várias empresas assustadas com a possibilidade de corte compulsório de energia pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em horários de pico. “O Erac (Esquema Regional de Alivio de Carga) nos assusta muito porque um corte compulsório pode provocar danos maiores à produção, e algumas indústrias podem levar horas ou dias para retomá-la. Queremos evitar isso.”

O Ministério de Minas e Energia (MME) encerrou na segunda-feira uma consulta pública de redução voluntária de consumo. Porém, poucas companhias conseguiriam atender a um parâmetro mencionado na proposta, de consumirem acima de 30 megawatts (MW) por mês. Para a associação, o montante teria de ser menor ou ser permitido somar a demanda por energia de todas as fábricas das empresas, para que elas pudessem chegar lá. Hoje, apenas 84 CNPJs conseguem atender a esse critério.

A Abrace dialoga com o governo para que os grandes consumidores reduzam voluntariamente a carga nos horários de pico, e entende que essa medida é mais barata do que a compra de energia de termelétricas. Segundo Pedrosa, neste momento de retomada da economia, muitas indústrias querem aumentar o consumo e a produção, e não reduzir. Para que o programa dê certo, diz ele, o governo precisa oferecer incentivos.

Para uma fonte do setor que pede para não ser identificada, o governo deveria ter sido mais ágil em identificar e reagir ao problema. O plano nacional de contingência deveria ter sido apresentado em julho. Algumas fábricas precisam de tempo para adaptar a produção e, somado aos rituais da consulta pública, os riscos aumentam. O pior período esperado é novembro, pouco antes da temporada de chuvas.

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 11/08/21 às 19h06.

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