Empresas que orientam estrangeiros se posicionam contra ‘voto negativo’ da Vale

Empresas que orientam estrangeiros se posicionam contra ‘voto negativo’ da Vale

Fernanda Guimarães

28 de fevereiro de 2021 | 05h00

A Vale sofreu um revés na proposta de instaurar um novo modelo de votação para seu conselho de administração, na qual o candidato só pode ser eleito quando o número de votos favoráveis que receber superar os votos contrários. As duas principais empresas no mundo que fazem recomendação de votos a acionistas estrangeiros, a Institutional Shareholders Service (ISS) e a Glass Lewis recomendaram a desaprovação desse item, pautado para a próxima assembleia da mineradora, marcada para 13 de março.

Lupa. Dentre uma série de argumentos apresentados, a Glass Lewis, por exemplo, cita que esse item torna possível que a Vale, historicamente uma empresa com controle definido, veja seus principais acionistas continuarem a votar em bloco e, assim, bloquear candidatos que não tenham sido propostos pelo Comitê de Nomeação da empresa. Na sua orientação aos acionistas, o ISS levantou preocupações trazidas por minoritários.

Antes disso. A Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), que reúne 60 investidores institucionais, locais e estrangeiros, com mandatos de investimento de aproximadamente R$ 700 bilhões no mercado brasileiro de ações, já se posicionou perante o que chamou de “voto negativo” no começo da semana. Ao apontar riscos desse modelo, afirmou que ele ainda não foi amplamente discutido no mercado brasileiro e que há preocupação de que o mecanismo possa ser utilizado para vedar a participação de acionistas minoritários. Agora, a atenção está voltada para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que já foi instada a se manifestar.

Só um. Na reunião do conselho de administração da Vale do dia 9 de fevereiro, na qual a companhia, após pressão do mercado, separou suas propostas que serão levadas à assembleia para que elas possam ser votadas separadamente, esse item só gerou a manifestação de um conselheiro. Na ata da reunião, Marcelo Gasparino, indicado por acionistas minoritários, reforçou em seu voto que é “veementemente contrário à referida proposta do voto-veto”, visto que, na sua opinião, essa mudança não reflete “o avanço que a Companhia pretende atingir com a nova proposta de Estatuto Social”.

Com a palavra. Procurada, a Vale informa que “a votação majoritária é amplamente usada no exterior. De acordo com o Council of Institutional Investors, quase 90 por cento das empresas S&P 500 usam a votação por maioria de alguma forma. Em benchmark, verificou-se também que grandes empresas de mineração usam essa forma de votação. O Conselho de Administração e o Comitê de Nomeação acreditam fortemente ser do melhor interesse de nossos acionistas a adoção de votação majoritária para a eleição de conselheiros, conferindo maior valor aos votos dos acionistas.”

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