‘Encol da China’ preocupa bancos e governo do país asiático

‘Encol da China’ preocupa bancos e governo do país asiático

Circe Bonatelli

16 de setembro de 2021 | 05h15

Problemas financeiros da Evergrande são teste para bancos e governo da China  Foto: Reuters

Os problemas financeiros da Evergrande, uma das três maiores incorporadoras da China, representam um verdadeiro teste de fogo para os bancos e o governo do país asiático, além de investidores internacionais. A empresa tem dívidas de US$ 88 bilhões – o que lhe rendeu o título de incorporadora mais endividada do mundo. A pior parte é que quase metade dessa dívida vence em menos de um ano.

O gigantismo da Evergrande relembra o peso da quebra da Encol por aqui, no fim dos anos 90. A falência da companhia brasileira paralisou 519 canteiros de obras – e consumidores e credores ficaram a ver navios. Por lá, a situação é proporcional. A Evergrande tem 787 canteiros abertos, sendo que alguns já estão parando por falta de pagamento a fornecedores. Seu banco de terrenos soma 231 quilômetros quadrados, área maior à da cidade de Suzano, na região metropolitana de São Paulo.

Crise de liquidez e credibilidade

A Evergrande vive uma crise de liquidez e credibilidade. De um lado, passou a vender ativos para atender à regulação local que estabeleceu limites mais baixos de endividamento para empresas do setor imobiliário. A situação se agravou com as notícias sobre seus problemas financeiros e os questionamentos se terá capacidade de concluir obras. Isso derrubou as vendas de imóveis na planta, mesmo após a companhia baixar os preços médios em 11% neste ano.

A Evergrande responde por só 4% do mercado imobiliário chinês, que é bastante pulverizado, segundo a agência de classificação de risco Fitch Ratings. Mesmo assim, os bancos locais, especialmente os pequenos, podem ser bastante afetados se a incorporadora ficar inadimplente, uma vez que as instituições são credoras de várias operações, desde financiamento para construção até títulos corporativos. A Fitch já rebaixou a nota da Evergrande para CCC+, o que significa provável calote.

O mercado imobiliário responde por 14% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês, segundo a Fitch. Diante dos riscos de contaminação do mercado, o governo chinês decidiu montar um comitê de especialistas para analisar as contas da Evergrande. A empresa também já contratou seus próprios assessores para uma reestruturação dos negócios.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 15/09/2021 às 16h57.

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