Entidades do setor da construção lamentam óbitos de operários na pandemia

Circe Bonatelli

20 de maio de 2020 | 05h15

São Paulo, 20/05/2020 – Os sindicatos de empresas do setor de construção divulgaram uma nota em que lamentam as mortes de trabalhadores em meio à pandemia do coronavírus. Conforme revelou ontem a Coluna do Broadcast, foram registradas ao menos 57 mortes de operários pela covid-19 em São Paulo, de acordo com contagem do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção (Sintracon).

“Lamentamos profundamente os óbitos, ocorridos entre os 650 mil trabalhadores formais da construção paulista”, afirmaram os empresários, em nota. “O número 57 decorre de uma sondagem informal. Envolve trabalhadores da construção e seus familiares, e abrange todo o período desde o início da pandemia. Não há evidências de que as perdas indicadas, assim como os contágios relatados, estejam ligados diretamente às atividades profissionais nas obras, podendo também ter se originado nas residências ou em outros locais”, acrescentaram.

O documento é assinado por Basílio Jafet, presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Luiz França, presidente da Associação das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Haruo Ishikawa, presidente do Serviço Social da Construção (Seconci-SP), Odair Senra, presidente do Sindicato da Indústria da Construção (SindusCon-SP) e Antonio de Sousa Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil (Sintracon-SP).

As entidades informaram ainda que, desde o início da pandemia, Sintracon-SP, SindusCon-SP e Seconci-SP instalaram um Comitê Permanente para zelar pela saúde dos trabalhadores e pela manutenção de seus empregos. Junto com a Abrainc e o Secovi-SP, empreenderam uma série de ações de conscientização de empregadores e trabalhadores.

Estas ações, feitas por meio de vídeos, folhetos, cartazes e um guia orientativo, envolvem medidas de contenção nos canteiros de obras, como: medição de temperatura, higienização constante das mãos e dos equipamentos de proteção individual, uso de máscaras na obra e nos trajetos de ida e volta, amenização de aglomerações na entrada e saída, nas área de convivência e nos elevadores, entre outras.

Porém

Apesar do esforço das construtoras em garantir a segurança nos canteiros, ainda existem falhas na adoção de medidas preventivas por parte de algumas empresas.  A Coluna do Broadcast mostrou nesta semana que a construtora Matec recebeu autos de infração há alguns dias emitidos pela Auditoria Fiscal do Trabalho. A Matec gere a obra do Parque da Cidade, empreendimento multiúso na Chácara Santo Antônio, zona nobre da capital paulista. O empreendimento chegou a ter a obra paralisada.

A empresa deixou de fornecedor máscaras adequadas, toalhas nos banheiros e permitiu aglomeração nos refeitórios, inclusive com rodas de truco após o almoço com funcionários sem máscara, segundo a Auditoria Fiscal do Trabalho. Além disso, não fez o teste do coronavírus nos trabalhadores, mesmo após um deles ter morrido com suspeita da doença. A situação gerou o temor de que uma possível contaminação se espalhasse no local, no qual trabalham cerca de 1,2 mil pessoas.

Procurada, a Matec respondeu que passou a fazer os testes no canteiro a partir de terça-feira, 19, e que já fez os ajustes apontados nos autos de infração, obtendo o sinal verde dos órgãos competentes para prosseguir com as obras. Além disso, acrescentou que já vinha adotando outras medidas contra o coronavírus, como a disponibilização de médico e enfermeiro no local, medição de temperatura, uso de álcool gel, entre outras práticas.

Contato: circe.bonatelli@estadao.com

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