Está mais barato comprar fatia de empresas na Bolsa do que fora dela, diz Goldman

Está mais barato comprar fatia de empresas na Bolsa do que fora dela, diz Goldman

Cynthia Decloedt e Altamiro Silva Junior

30 de junho de 2022 | 05h15

Na B3, há papéis que perderam 90% do valor em 12 meses Foto: Werther Santana/Estadão

As ações brasileiras perderam tanto valor que, para fundos e grandes investidores que tentam concretizar fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês), está mais barato fazer negócio na bolsa do que no mercado privado, segundo o banco norte-americano Goldman Sachs. Na B3, há papéis que perderam 90% do valor em 12 meses – e os compradores estão atentos às oportunidades. Caso recente foi a aquisição de um bloco de ações da Locaweb pela gestora de private equity norte-americana General Atlantic, que costuma fazer compras de participação em empresas fora da bolsa. Já o fundo Actis vai adquirir perto de 6% da Omega Energia numa operação de R$ 400 milhões na B3, em leilão nesta quinta-feira (30).

Banco prevê que Ibovespa retome 118 mil pontos até meados de 2023

Segundo Juliano Arruda, diretor de renda variável para a América Latina do Goldman Sachs, há oportunidades na Bolsa com proposta de valor muito boa, “do ponto de vista de retorno, mas não é óbvio quando isso vai se cristalizar”. O banco prevê que o Ibovespa retome os 118 mil pontos até meados de 2023.

O retorno a esse patamar dependerá, na opinião de Arruda, do ambiente econômico interno e externo, ainda marcado por elevada incerteza sobre inflação e temor de recessão na economia mundial, e de maior clareza sobre quem vencerá as eleições presidenciais.

A pergunta de US$ 1 milhão hoje no mundo, diz ele, é quando a inflação americana vai atingir seu pico. Só assim será possível ter mais clareza sobre a alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e começará a haver certo alívio em relação ao temor de recessão.

Movimentos inesperados do Fed podem afetar juro no Brasil

Para o Goldman, esse pico pode vir até o fim do ano e, com o Fed determinado neste momento a elevar os juros, todo o ciclo de aperto monetário na maior economia do mundo deve ficar concentrado em 2022. Segundo Arruda, embora o Banco Central brasileiro tenha se adiantado para frear a inflação no País, movimentos fora do esperado pelo Fed podem mudar a percepção do juro também por aqui.

A recessão é o grande tema hoje e o Goldman calcula em 30% de probabilidade de isso ocorrer nos próximos 12 meses e em 50%, em 24 meses. Esse ambiente potencialmente recessivo, diz ele, não é muito favorável para ativos de risco. Prova disso é que R$ 108 bilhões saíram dos fundos de ações e multimercados este ano, segundo a Anbima. Nesse ambiente, emitir ações não parece ser a melhor estratégia.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 29/06/22, às 18h03

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