Estapar estreia como companhia aberta na B3 e faz história com 1º IPO virtual

Estapar estreia como companhia aberta na B3 e faz história com 1º IPO virtual

Fernanda Guimarães

15 de maio de 2020 | 10h47

Para uma empresa que abre capital, o fim desse processo altamente intenso e cansativo aos envolvidos é o toque de campainha na bolsa, considerado o auge de uma oferta inicia de ações (IPO, na sigla em inglês). Hoje a Allpark, dona da rede de estacionamentos Estapar, fez história na bolsa brasileira ao fazer um IPO 100% virtual – do início ao fim. A ação, batizada de “ALPK3” estreou hoje com uma cerimônia de comemoração totalmente virtual e marcou o primeiro IPO feito em meio à pandemia do covid-19, que impõe isolamento social para conter a disseminação do vírus. A ação chegou a cair 20% em relação ao preço inicial, mas fechou o dia com retração de 9,05%.

O presidente da B3, Gilson Finkelsztain, afirmou que a oferta da Estapar, neste momento, é algo a ser celebrado, já que a oferta ocorreu em um cenário completamente inesperado, dada a pandemia. “O mercado de capitais segue como uma importante fonte de captação de recursos para os emissores. Para essa oferta sair houve o esforço de muitos, com um roadshow totalmente virtual”, disse o executivo, que vestia a camiseta da Estapar. A cerimônia virtual de estreia da empresa, que foi transmitida ao vivo, começou mostrando o prédio da B3 “vestido” com a marca da Estapar, como costuma acontecer com as estreantes na bolsa nas cerimônias pré-pandemia. “Essa oferta fará parte de nossa história que contaremos com muito orgulho”, disse o executivo.

O IPO da Estapar levantou R$ 345 milhões, recursos que serão utilizados para pagar investimentos no âmbito da concessão do serviço municipal de estacionamento rotativo para o município de São Paulo, a Zona Azul, com previsão de início da operação no segundo semestre deste ano. Os investimentos totais são da ordem de R$ 600 milhões, ou seja, a empresa recorrerá a outras fontes de financiamento, como o bancário, para fazer frente a esse compromisso.

O presidente da Estapar, André Iasi, destacou que a oferta da companhia será um marco diante do atual contexto, mas que mostra que as empresas “precisam seguir com seus propósitos”. “Espero que essa oferta represente uma esperança para a retomada ao empresariado. Mesmo em um momento adverso investidores depositaram confiança no Brasil e na Estapar”, frisou, na cerimônia virtual.

Dos R$ 345 milhões da oferta, 60% foram vendidos a mercado, sendo que, mais uma vez, as pessoas físicas se mostraram presentes, comprando R$ 85 milhões desse total. O restante foi adquirido pelo fundo Maranello, de André Esteves, sócio sênior do BTG Pactual, que já era acionista da companhia com uma fatia de 47,7%. No entanto, com a oferta, mesmo com a aquisição, sua participação foi diluída.

O presidente da B3 reiterou o crescimento das pessoas físicas na B3, com mais de 400 mil contas entre os meses de março e abril, a despeito da volatilidade dos mercados. Hoje o número de CPFs na B3 é de cerca de 2,4 milhões.

A Estapar, que possui quase 40 anos, tem presença em 15 aeroportos, como o de Congonhas, em São Paulo. Nesse período, por conta da pandemia, os efeitos estão sendo sentidos na pele: em abril o faturamento despencou 83% ante o mesmo mês do ano anterior. De acordo com o prospecto da oferta, das 644 operações fora de vias e logradouros públicos, 191 estavam fechadas, mas mesmo as unidades abertas operavam com “queda substancial de receita diante da queda significativa do volume de veículos”. “Monitoramos diariamente o faturamento de nossas operações, sendo possível visualizar o impacto ocorrido em nossas atividades após o efeito da covid-19”, segundo a empresa, no prospecto do IPO.

“Em nossa visão, a companhia tem se destacado pelo crescimento robusto dos últimos 10 anos e forte presença em nos diferentes setores da economia, como shopping centers, edifícios comerciais, hospitais, faculdades, aeroportos e focando em contratos de longo prazo, como as concessões públicas e privadas. Com isso, vemos um bom potencial de crescimento a partir da recuperação da economia e novos contratos”, segundo análise da Eleven Financial, em documento assinado por Raul Grego, Alexia Wiezel, Carlos Daltozo e Daniela Bretthauer, enviado a clientes. A recomendação foi de compra da ação no IPO.

Essa é a quinta abertura de capital de 2020, um ano que prometia ser de recordes de estreantes na B3 – planos que foram frustrados com a crise trazida pela pandemia, que trouxe volatilidade e aversão a risco aos mercados.

O BTG Pactual foi o coordenador líder da oferta. Bradesco BBI, Banco do Brasil e Santander também fizeram parte do sindicato.

Contato: fernanda.guimaraes@estadao.com

 

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