Estreia de fundo imobiliário com forte alta comprova apetite do investidor

Estreia de fundo imobiliário com forte alta comprova apetite do investidor

Fernanda Guimarães

03 de janeiro de 2020 | 04h00

Um fundo imobiliário – o FII Luggo, composto por prédios residenciais construídos pela MRV e administrados pela sua subsidiária Luggo, estrearam na B3 na última segunda-feira com forte alta. Em apenas dois dias de pregão a cotado fundo subiu mais de 30%. O amplo interesse dos investidores ocorreu apesar da novidade: esse é o primeiro fundo especializados em imóveis residenciais para locação. No ano passado os FIIs foram vedetes entre os investidores: o número de investidores em novembro já beirava os 600 mil, um crescimento mensal na casa de 10%. O que vem chamando atenção é que neste ano, tamanha a procura, o valor de mercado desses fundos, que são listados na B3, passou a superar o valor do patrimônio líquido dos fundos, ou seja, dos imóveis que esses fundos possuem. Em novembro, último dado disponível, o valor de mercado de todos os fundos juntos era de R$ 89,1 bilhões e o patrimônio deles de R$ 80,6 bilhões.

Cuidado. O descolamento entre o valor da cota do fundo e o valor do patrimônio pode ser explicado pelo fato de que o valor do imóvel demorar mais para acompanhar a expectativa de melhora da economia e no caso do fundo imobiliário, o patrimônio reflete a avaliação do valor do imóvel. Um dos problemas, no entanto, quando existe esse descompasso de valor é que, para aproveitar esse apetite dos investidores, as gestoras estão aproveitando para fazer novas ofertas, aos chamados “follow ons”, como são conhecidas as novas captações de fundos já listados. No entanto, quando essas ofertas são feitas em fundos em que o valor de mercado é maior do que o patrimônio, a cota é vendida na oferta ao valor do patrimônio. Apenas em 2019 foram feitas 60 ofertas de fundos imobiliários, entre novos e fundos já listados. A própria MRV já informou que neste ano espera fazer o primeiro follow on do Luggo FII.

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