Ex-Rio Bravo, Mario Fleck, tem ‘cheque em branco’ para investir no País

Ex-Rio Bravo, Mario Fleck, tem ‘cheque em branco’ para investir no País

Cristiane Barbieri

02 de novembro de 2021 | 05h10

América Latina pode ser um celeiro para os Spacs, diz Mario Fleck   Foto: Denise Andrade/ESTADÃO

Mario Fleck, que por oito anos esteve à frente da Rio Bravo Investimentos e por outros 14 comandou a Accenture no Brasil, está em busca de empresas brasileiras para investir. Presidente do conselho da Rose Hill Acquisition Corporation, uma “empresa cheque em branco”, ele está atrás de uma companhia avaliada entre US$ 400 milhões e US$ 1 bilhão, na qual a Rose Hill possa aportar inteligência e os US$ 143 milhões (cerca de R$ 800 milhões) captados em uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) recente, na Nasdaq. As “empresas cheque em branco” (Spacs, também do inglês) conseguem recursos via Bolsa e somente então partem atrás de um negócio, para ajudá-lo a ganhar musculatura. “A América Latina pode ser um celeiro para os Spacs, já que as empresas dos EUA e da Ásia estão sendo bastante disputadas”, diz Fleck.

Prova do interesse dos investidores é o próprio sucesso do IPO da Rose Hill. Nascida com o objetivo de conseguir US$ 125 milhões na Bolsa, conseguiu US$ 20 milhões a mais. Com um detalhe: a captação foi feita em apenas dois dias.

Disputa

As empresas brasileiras, no entanto, não são as únicas no radar. Ao lado de Fleck, estão no conselho da Rose Hill executivos de primeira linha de México, Chile, Colômbia e Peru. Cada um poderá apresentar candidatos aptos a receberem o aporte de seus países – ou dos vizinhos da região.

Para Fleck, no entanto, o Brasil tem boas chances na disputa. “Todos os países da América Latina têm seus problemas e alguns, como a Argentina, até sumiram do radar dos investidores”, afirma ele, que se tornou sócio da Rio Bravo, do ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, em 2004.

Como a maior parte dos Spacs, a Rose Hill buscará uma empresa com pegada tecnológica. Uma característica necessária, porém, deve tirar muitas do páreo: ter práticas contábeis de acordo com as regras internacionais. Isso porque a empresa “cheque em branco” tem 18 meses para apresentar a escolhida para a aprovação dos investidores. Caso não o façam – ou a companhia seja rejeitada -, o dinheiro é devolvido a eles.

Dificilmente é possível fazer a adaptação às regras contábeis norte-americanas em menos de um ano. Mesmo assim, há alternativas. “Muitas empresas que estavam na fila dos IPOs puxaram o freio de mão por causa da volatilidade do mercado”, diz Fleck. “Podemos ser uma alternativa, porque o capital da Rose Hill já foi aberto.”

 

Esta nota foi publicada no Broadcast  no dia 01/11/21, às 13h54.

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