Exp World, imobiliária com sede no metaverso, reformula time para crescer no Brasil

Exp World, imobiliária com sede no metaverso, reformula time para crescer no Brasil

Circe Bonatelli

14 de junho de 2022 | 05h38

Claudio Hermolin, que vai comandar a Exp World  no Brasil  Foto: Wilton Junior / Estadão

A imobiliária Exp World Holdings acaba de contratar o executivo Cláudio Hermolin para comandar as operações da multinacional no Brasil e buscar crescer em um mercado altamente competitivo. Hermolin é um nome tarimbado no setor. Esteve por quatro anos à frente de uma das maiores imobiliárias nacionais, a Brasil Brokers, na época da reestruturação dos negócios e da transformação digital da empresa. Também já foi diretor de Even e PDG, além de integrar quadros de associações como Ademi, Sinduscon e Secovi.

Toda essa experiência vai ser usada para dar tração à Exp, que desembarcou no Brasil no começo de 2021, mas ainda não decolou. Nesse período, a empresa foi comandada por Ernani Assis, outro executivo experiente no ramo, com passagens por Prudential Real Estate, Century 21, Remax e Zap Imóveis. Sob sua batuta, a Exp chegou a 200 corretores parceiros e um total de 1 mil imóveis cadastrados na base – números muito pequenos perto das operações do grupo em outros países e do potencial do mercado brasileiro.

A Exp tem ganhado visibilidade mundo afora porque seus escritórios estão no metaverso. Ou seja: ela não utiliza endereço físico. As reuniões de funcionários, cursos, treinamentos e eventos acontecem em um escritório digital e online, onde cada pessoa interage por meio de um avatar. A entrevista ao Broadcast, inclusive, foi concedida no metaverso (o vídeo com essa experiência está disponível na Broadcast TV).

Segundo a empresa, o formato 100% digital é justamente o seu grande trunfo para crescer. Como não depende de um escritório físico, pode ganhar escala rapidamente, atraindo corretores e imóveis de quaisquer localizações. “Se olhar o crescimento histórico da Exp em outros países, vai ver que é um avanço de mais de dois dígitos por ano em termos de número de corretores e de transações de imóveis”, ressaltou Hermolin. “Como não temos necessidade física, nossa capacidade de crescimento é infinita”.

Empresa tem 80 mil corretores em 21 países

A Exp chegou a 80 mil corretores no fim do primeiro trimestre, crescimento de 55% em comparação com o mesmo período do ano passado. As vendas de imóveis movimentaram US$ 41,4 bilhões, alta de 9%. A receita foi de US$ 4,2 bilhões, com lucro de US$ 81 milhões.

Fundada em 2009, a empresa opera em 21 países, como Estados Unidos, Canadá, México, Colômbia, Chile, África do Sul, Índia, Hong Kong e países da Europa. Aqui no Brasil, atua em 10 Estados. A capilaridade global permite que um corretor possa vender um apartamento na Flórida para seu cliente brasileiro ou uma casa no litoral baiano para interessados europeus.

Outra aposta é o pagamento de comissão mais polpuda aos corretores. A taxa de corretagem fica em torno de 5% a 6% do valor do imóvel, como em qualquer outra transação. Na Exp, o corretor recebe de 70% a 90% desse valor contra cerca de 50% nas empresas convencionais, destacou Hermolin. A imobiliária aceita ficar com uma fatia menor da venda porque tem custos fixos reduzidos.

Também há a possibilidade de pagamento na forma de ações da empresa. Com isso, o corretor se torna um verdadeiro sócio da plataforma. Em troca de clientes, imóveis, treinamento e conectividade, a Exp cobra uma mensalidade de R$ 250 dos corretores. “Nosso foco é atrair o corretor que pensa diferente. Valorizamos o profissional que busca autonomia, liberdade e que seja empreendedor. Na Exp, é como se tivesse a própria imobiliária”, afirmou o executivo.

Ações da companhia estão sob pressão na Nasdaq

Mas destacar-se no mercado de compra e venda de imóveis não é simples, pois o setor é enorme e extremamente pulverizado no País. Existem grandes empresas com atuações em várias cidades, como a Lopes, até sites de classificados que oferecem serviços de corretagem, fiança, financiamento e seguros, casos da OLX (que comprou o Zap) e os unicórnios QuintoAndar e Loft, por exemplo. Sem contar as inúmeras imobiliárias de bairros.

“O Brasil tem proporções continentais e tem espaço para mais de um modelo de trabalho”, disse o novo comandante da operação local. “E a Exp é esse terceiro modelo. Embora QuintoAndar e Loft tenham ferramentas que agilizem as vendas, elas ainda são empresas com espaços físicos. O nosso modelo é 100% na nuvem e mais focado em corretores que tenham interesse em seguir suas jornadas sozinhos”, acrescentou.

Lá fora, a Exp tem passado por um rígido escrutínio de investidores. Suas ações na Nasdaq caíram 60% em um ano (para US$ 15, o que lhe confere um valor de mercado de US$ 2,2 bilhões). A empresa foi atingida por uma tempestade devido à crise econômica nos Estados Unidos e ao aumento da desconfiança sobre empresas tech. Entretanto, outras imobiliárias listadas nas Nasdaq também apanharam. As ações da Zillow Group baixaram 81% no mesmo período, enquanto os papéis da Compass e da Realogy recuaram 64% e 40%, respectivamente.

 

Este texto foi publicado no Broadcast no dia 13/06/22, às 10h55

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