Família Garcia, dona da Algar, dá sinais de que pode ser diluída

Família Garcia, dona da Algar, dá sinais de que pode ser diluída

Circe Bonatelli

10 de novembro de 2020 | 05h00

Foto: Tiago Queiroz/Estadão

A família Garcia, fundadora e controladora da mineira Algar Telecom (antiga CTBC), deu sinais de que estaria disposta a aceitar diluir a sua participação de 67% no quadro societário em troca do crescimento do negócio. Internamente, o conselho avalia que as aquisições de outros grupos empresariais são o único caminho capaz de fazer a Algar se aproximar da “primeira divisão” do setor de telecomunicações, onde estão Vivo, Claro, TIM e Oi.

Caminho das pedras. Nesta segunda-feira, 9, a estratégia da Algar Telecom de expandir a sua rede de banda larga por meio de aquisições falhou ao deixar escapar a compra da Copel Telecom durante o leilão em que o ativo acabou arrematado pelo fundo de investimentos Bordeaux. A proposta vencedora foi de R$ 2,395 bilhões, contra R$ 2,204 bilhões propostos pela Algar, segunda colocada no certame.

Sinais. O tamanho dos lances, entretanto, chamou a atenção de agentes do mercado. O valor ofertado pela Algar é bastante significativo para o seu poder de fogo, considerando a disponibilidade de caixa (R$ 690 milhões) e a capacidade de financiamento (sua dívida líquida equivale a 2,1 vezes a geração de caixa), o que sugere a presença de um sócio para injetar mais dinheiro no negócio.

Tamo junto. A Algar já é parceira do GIC, fundo soberano de Cingapura, que em 2018 fez um aporte de R$ 1 bilhão em troca de 25% das ações da companhia brasileira. De lá para cá, o grupo acelerou a estratégia de aquisições, mas os desembolsos foram modestos: R$ 78,5 milhões por uma parte minoritária na Cemig Telecom e R$ 48 milhões pela Smart Telecomunicações. Pela frente, Algar e o GIC são apontados como candidatos a um lance pela rede fixa da Oi que vai a leilão dentro de algumas semanas, num negócio de mais de R$ 20 bilhões. O dinheiro para um lance, certamente, não virá do balanço da operadora mineira.

Empresa de família. A Algar foi fundada por Alexandrino Garcia na década de 50 em Uberlândia (MG) , e, atualmente, o conselho conta com a segunda e a terceira geração da família. Procurada, a companhia se limitou a informar que “não comenta rumores de mercado”.

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