Flytour está em negociações para possível venda

Flytour está em negociações para possível venda

André Jankavski

09 de julho de 2021 | 05h05

Fogos de artifício em Nova York; viagens de turismo e de negócios foram afetadas por pandemia    Foto: Angela Weiss/AFP

A Flytour, uma das maiores empresas do setor de turismo, está em conversas para ser vendida. Fundada pelo empresário Eloi D’Avila de Oliveira, a companhia é mais uma que está sofrendo com a paralisação das viagens de turismo e corporativas durante a pandemia.

Ainda há discussões se uma eventual aquisição aconteceria de maneira integral ou de apenas algumas partes da empresa. Segundo um dos interessados, as conversas estão acontecendo há alguns meses.

A empresa atua nos ramos de lazer e viagens a negócios, além de também ter franquias de agências de viagens e organiza eventos corporativos – todos setores fortemente afetados, desde o começo do ano passado. “Uma consolidação será inevitável do setor”, diz um executivo da Flytour em condição de anonimato.

Em setembro de 2020, em meio a reclamações em atrasos com pedidos de reembolso, Oliveira se pronunciou, por meio de uma carta, afirmando que estava voltando à gestão geral da operadora. “Estou fortemente dedicado a solucionar as questões gerais e atender todas as necessidades de todos para garantir a continuidade desse negócio.” Procurada, a Flytour não respondeu aos pedidos de entrevista.

O que deve atrapalhar ainda mais parte do setor – Flytour incluída – é o fim da Medida Provisória 1.036, que permitiu o adiamento do reembolso de reservas realizadas antes da pandemia. Com isso, diversas empresas conseguiram um alívio para o caixa, em um período em que o faturamento chegou a zero.

“Possível quebradeira”

Porém, o problema está longe de terminar. “Diversas companhias utilizaram o dinheiro que precisava ser pago tanto para hotéis quanto para companhias aéreas como fluxo de caixa, mas com o fim da MP precisarão fazer todos os pagamentos ou reembolsar os clientes”, afirma o executivo de uma grande empresa do setor.

“No horizonte, a tendência para a retomada do turismo é promissora, mas com o fim da medida, é possível que tenha uma quebradeira de empresas”, diz Marta Poggi, consultora e sócio da Strategia Consultoria, especializada no setor.

A própria CVC Corp, maior do setor e única listada na Bolsa, precisou fazer aumentos de capital para dar conta do fluxo de caixa. No total, com o follow-on (emissão secundária) que está em andamento, a empresa pode chegar a R$ 1,1 bilhão em aportes. “Sem esses novos valores, a operação da CVC estaria bem complicada”, afirma uma pessoa com conhecimento do negócio.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 08/07/2021, às 17h30.

Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse 

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Siga a @colunadobroad no Twitter

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.