Frigorífico quer liberação de crédito de ICMS em SP

Coluna do Broadcast

09 de dezembro de 2019 | 04h00

Com a forte demanda internacional por carnes, frigoríficos estão pedindo ao governo de São Paulo a liberação de créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) gerados na compra de gado em outros Estados. Executivos do setor alegam que os créditos, represados desde governos anteriores, poderiam ser utilizados na operação industrial e também para ampliar o confinamento de bovinos. Isso levaria a uma maior oferta de animais nos próximos anos, reduzindo a pressão que as exportações aquecidas de carne exercem sobre os preços internos. “Todos os frigoríficos exportadores de São Paulo estão precisando comprar boi em outros Estados para atender à demanda”, diz uma fonte. Com a repercussão da alta de preços da proteína, a discussão sobre os créditos do ICMS voltou à mesa. O governo ainda não respondeu ao pedido.

Efeito dominó. A escassez na oferta de gado pronto para o abate foi um dos fatores que levaram ao aumento de mais de 30% nos preços da arroba bovina em novembro, o que, por consequência, encareceu toda a cadeia de proteína animal. Os frigoríficos paulistas foram os compradores mais ativos do mercado, justamente para cumprir contratos de exportação.

Desacelera. A demanda da China por carnes deve passar por um ajuste após o ano-novo chinês, diz José Carlos Hausknecht, sócio-diretor da MB Agro. Até o feriado, no fim de janeiro, o país deverá comprar produto em maior quantidade. Depois, a arroba do boi no Brasil tende a se estabilizar abaixo de R$ 200. “Outros mercados não suportam esse aumento de preços e o interno tampouco”, afirma. “A tendência é de acomodação em patamar mais baixo.”
Mais longe. A Frigol está se articulando para que a unidade de São Félix do Xingu, no Pará, comece a exportar carne bovina para Israel. Recentemente, a unidade foi habilitada para embarcar o produto à Arábia Saudita. “O processo de habilitação envolve a aprovação de indústrias importadoras do país. Estamos nessa etapa”, afirma Luciano Pascon, presidente da empresa.

Surfando na onda. A Elanco Saúde Animal deve fechar o segundo semestre com vendas 25% maiores no Brasil que nos seis primeiros meses do ano. Carlos Kuada, CEO da empresa, atribui o resultado ao bom momento da cadeia de carnes.

Sinal verde. A região do Cerrado brasileiro deu a partida nas aquisições de insumos para a safra de soja 2020/21, que será plantada só no ano que vem. Levantamento da Agroconsult informa que em Mato Grosso as vendas de fertilizantes para a soja chegam a 40% do total necessário. Em igual período do ano passado, praticamente nada havia sido negociado, segundo a consultoria. Nesta temporada, a relação de troca – ou seja, a quantidade de soja necessária para comprar uma tonelada de adubo – é favorável ao produtor.

Dinheiro extra. Com as compras adiantadas para a próxima safra, bancos e associações de produtores esperam que o governo sinalize um reforço no crédito para custeio. É que os recursos previstos em algumas linhas devem se esgotar entre fevereiro e março, antes, portanto, do fim do ano-safra, que termina em junho.

Campo fértil. Ainda sobre insumos, o grupo Casa Bugre/Agrivalle espera que sua divisão de fertilizantes passe a contribuir com 50% do faturamento nos próximos cinco anos, antes os atuais 22%. “O grupo tem investido no segmento de nutrição e adotou um planejamento estratégico para limitar os efeitos negativos do câmbio elevado”, afirma Bruno Sardinha, diretor técnico de fertilizantes.

Aposta. Os preços atrativos do milho devem estimular o plantio da safrinha, apesar da perspectiva de atraso na semeadura. “Provavelmente a área vai crescer, mas com um risco um pouco maior do que foi o ano passado, principalmente em regiões onde atrasou mais o plantio da soja”, diz José Carlos Hausknecht, da MB Agro sobre a possibilidade de a lavoura sofrer com estiagem no outono. Segundo ele, a margem dos produtores melhorou com a alta recente dos preços do cereal, o que estimula a manutenção do investimento em tecnologia em relação a 2018.

Incentivo. A Fundação Renova está com um projeto de reflorestamento na bacia do Rio Doce, que receberá investimento de R$ 1,1 bilhão nos próximos dez anos. A região foi afetada pelo rompimento da barragem de Brumadinho (MG) em 2019. Para subsidiar o plantio, a entidade distribuirá sementes a fazendeiros da região para produção de mudas. A expectativa é reflorestar 40 mil hectares com 60 milhões de mudas nativas.
Produto sensível. A Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip) tenta convencer as padarias a não reajustarem os preços do pão francês. A alta do dólar encareceu a farinha de trigo e a tendência é de repasse ao produto final, mas a Abip defende que o custo seja absorvido, sem alta. “Toda vez que o pão é reajustado, as vendas caem, pois a demanda migra para outros produtos”, justifica Giovani Mendonça, diretor executivo da entidade.

COLABORARAM ISADORA DUARTE e LETICIA PAKULSKI

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