Furo no teto faz pelo menos R$ 7 bi em IPOs serem cancelados, em um só dia

Furo no teto faz pelo menos R$ 7 bi em IPOs serem cancelados, em um só dia

Altamiro Silva Junior e Cynthia Decloedt

24 de outubro de 2021 | 05h15

Expectativa é que algumas ofertas na B3 voltem no início de 2022  Foto: Gabriela Biló /Estadão

A decisão do governo Jair Bolsonaro de romper o compromisso com o teto dos gastos públicos fez um strike, nos pinos já cambaleantes das ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) na B3. Em apenas um dia, seis empresas, que iriam captar ao menos R$ 7 bilhões desistiram de suas ofertas. A rede de supermercados Cencosud, a incorporadora de galpões e condomínios Fulwood e a provedora Vero Internet deixaram o IPO para o começo de 2022, como já havia feito o grupo de restaurantes Madero. Já a Lupo, fabricante de roupas íntimas e artigos esportivos, a petroquímica Unigel e a Conasa Infraestrutura desistiram de abrir capital, ao menos por ora. Todas tinham planos de fazer suas respectivas operações neste mês ou no próximo.

Lupo e Cencosud planejavam captar em torno de R$ 1,5 bilhão cada, enquanto as outras buscavam ao redor de R$ 1 bilhão. Ao todo, 65 empresas já desistiram de fazer IPOs este ano, segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Algumas retornaram em um segundo momento, com operações repaginadas e voltadas a grupos específicos de investidores. É o que banqueiros de investimento dizem que pode acontecer com determinadas operações adiadas agora.

Algumas empresas podem voltar com suas ofertas no começo de 2022. É o que deve fazer a rede de academias Bluefit. A Unigel, um dos poucos IPOs para o qual havia expectativa de sucesso este ano, pode fazer nova tentativa no ano que vem.

Nos bancos de investimento, a visão é que, mantido o atual cenário, mais nenhum IPO deve ser concretizado no Brasil este ano. Um gestor, mais otimista, diz que o azedume pelo qual passa o mercado pode melhorar, se a contrapartida pela rompimento do teto for eficiente em trazer dinheiro à economia.

Perspectivas “sombrias”

Por enquanto, sua opinião é minoria. A consultoria inglesa Capital Economics avalia como “bastante sombrias” as perspectivas para o mercado financeiro brasileiro, por conta de medidas eleitoreiras do governo de Jair Bolsonaro, que busca elevar gastos sociais sem respeitar a âncora. “O risco de mais gastos fiscais exagerados e mais medidas populistas permanece alto”, diz o economista de mercado da instituição, Thomas Mathews.

Nas mesas de banqueiros e gestores, o cenário ruim está dado e um eventual desembarque do ministro da Economia, Paulo Guedes, seria um detalhe. Ficou definitivamente consolidada a visão de que Guedes pouco “apita”.

 

Esta nota foi publicada no Broadcast+ no dia 22/10/21, às 16h30.

O Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre o Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.

Contato: colunabroadcast@estadao.com

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.