Geração distribuída avança e já responde por 5% do mercado residencial da CPFL

Geração distribuída avança e já responde por 5% do mercado residencial da CPFL

Wilian Miron e Luciana Collet

10 de junho de 2022 | 05h32

Alta de tarifas de energia estimula busca por alternativas   Foto: Tiago Queiroz / Estadão

A conexão de sistemas de Geração Distribuída (GD) acelerou na área de concessão da CPFL durante o segundo trimestre deste ano e já responde por cerca de 5% do mercado residencial da distribuidora, acima dos 3% anotados em março, disse ao Broadcast Energia o presidente da companhia, Gustavo Estrella.

Segundo ele, no médio prazo a modalidade pode alcançar um volume correspondente a entre 10% e 15% do mercado. O avanço da GD na área de concessão da CPFL ocorre devido a um conjunto de fatores. De um lado, a empresa é responsável pela distribuição de energia em localidades no interior de São Paulo onde há grande número de telhados, alto nível de insolação e população com renda relativamente elevada. Além disso, há um estímulo à instalação de painéis fotovoltaicos neste ano, devido à regra que mantém até 2045 os benefícios fiscais a quem conectar esses sistemas até o início de 2023.

Outro motivo pelo qual mais consumidores têm buscado esses sistemas é o aumento nas tarifas de energia neste ano, que devem aumentar, em média, 18% em todo o País, impulsionadas pelo custo da crise hídrica.

Empresa reajustou tarifas em algumas distribuidoras

A CPFL já teve a tarifa de algumas de suas distribuidoras reajustadas neste ano, com aumento médio da ordem de 15% para as tarifas da CPFL Paulista e de 8,83% na Santa Cruz. Segundo Estrella, os aumentos só não foram maiores porque a companhia buscou maneiras de mitigar os reajustes, por meio da devolução para os consumidores de créditos de PIS/Cofins.

Na avaliação do executivo, as decisões técnicas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre os reajustes tarifários deste ano serão respeitadas, a despeito das discussões em andamento na Câmara dos Deputados, onde parlamentares contestaram os aumentos aprovados pela autarquia e ameaçam suspendê-los. Para o executivo, a maneira como esse debate é conduzido não é boa.

Expectativa é de reajustes menores em 2023

Ele lembra também que no cenário atual, de melhora nas condições de armazenamento de água nas hidrelétricas do País e consequente desligamento de térmicas, a tendência é que no próximo ano os reajustes sejam sensivelmente menores, provavelmente abaixo dos 10%. “No ano que vem começa a ser tudo diferente porque não tem despacho térmico esse ano”.

O presidente da CPFL  também disse que a Conta Escassez hídrica, que ajudou a mitigar os efeitos da importação de energia e geração térmica do ano passado, permitiu que as tarifas não aumentassem ainda mais neste ano. Defendeu a criação de um mecanismo permanente que pudesse aliviar grandes variações nas contas de luz, semelhante ao que o governo discute para mitigar a volatilidade no preço dos combustíveis. “Oferecer isso com juro baixo evita esse choque de tarifa e beneficia o consumidor”, concluiu.

Ainda entre os temas em discussão no Senado, ele comentou sobre o andamento do Projeto de Lei 414/2021, que trata da abertura e da modernização do mercado. O executivo disse acreditar que a janela para aprovação antes das eleições está diminuindo diante da proximidade do pleito.

No entanto, ele destacou que não vê altos custos políticos para aprovação do projeto, uma vez que se trata de uma pauta quase unânime no setor elétrico. “Não vejo ninguém que pode pegar essa pauta e transformar em algo ruim”, disse.

Para o leilão de transmissão que acontecerá no fim deste mês, a CPFL espera entrar sozinha e buscar lotes menores, mas que tenham sinergia com ativos já administrados pelo grupo. Ainda assim, Estrella lembra que nos últimos certames a competição tem sido forte, com deságios agressivos, espremendo os retornos que os ativos oferecem.

 

Este texto foi publicado no Broadcast  Energia no dia 06/06/22, às 18h01

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