Gerdau retém caixa para o pior, mas vê melhora após fundo do poço em março

Gerdau retém caixa para o pior, mas vê melhora após fundo do poço em março

Fernanda Guimarães

07 de maio de 2020 | 11h51

ara enfrentar a crise que emergiu com a pandemia do novo coronavírus, a Gerdau definiu como essencial a preservação de liquidez para atravessar o período de incertezas. Dentre as medidas, cortou 40% dos investimentos programados para este ano, que ficarão, por ora, em R$ 1,6 bilhão. No entanto, se de um lado se prepara para dias piores que podem estar à frente, a siderúrgica colocou de volta ao trabalho suas aciarias elétricas no mês passado, que são mais flexíveis do que os tradicionais alto-fornos siderúrgicos, em resposta à melhora de pedidos que começou a ser observada de forma mais consistente desde a segunda metade de abril.

O pior – para o negócio e não em termos da saúde, fez questão de frisar – parece ter ficado para trás, disse o presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, em teleconferência hoje, mas disse que ainda é difícil prever como serão os próximos meses. Depois de uma segunda quinzena de março bastante ruim, com queda diária de pedidos da ordem de 60% em relação ao visto nos meses de janeiro e fevereiro, a Gerdau começou a observar em abril melhora gradual. O mesmo vem sendo notado nos primeiros dias de maio. Tendo em vista os pedidos já realizados, a Gerdau projeta que no mês de maio o volume será 25% menor do que o visto em meses normais. Em junho a queda poderá ser reduzida para algo entre 15% e 20% em relação a visto no início do ano.


“O que nos faz dizer que o pior já passou são alguns indicadores, como o número de pedidos. Outro é a inadimplência, que vem se reduzindo”, afirmou. Segundo ele, os clientes deixaram de pagar no fim de março e início de abril, mas isso vem sendo também normalizado nas últimas semanas.

Assim, tendo em vista os pedidos nas últimas semanas, a Gerdau decidiu ainda em abril religar suas aciarias elétricas em sua operação no Brasil, paradas desde março. Já o alto-forno de sua usina de Ouro Branco, Minas Gerais, deverá voltar em junho, mas essa decisão dependerá do andamento do mercado, comentou Werneck.

Mas diante do momento de imprevisibilidade a decisão foi de cortar os investimentos deste ano, especialmente os direcionados a segmento de aços especiais, na esteira da grande piora do setor automotivo. “Diante dessas incertezas de mercado, passamos a ser mais conservadores na aprovação de projetos e paralisamos obras em andamento”, afirmou Werneck. Segundo o executivo, esses investimentos eram destinados para acompanhar a evolução tecnológica da indústria automobilística. No entanto, dada a crise, haverá uma queda grande na venda de veículos este ano o que deu mais tempo para a decisão do desembolso. “A gente reduziu, mas acredita que, no médio prazo, não vai ter nenhum impacto na nossa capacidade de atender ao mercado”, destacou.

No mercado a leitura foi de que a crise afetou a Gerdau, mas que a empresa está bem estruturada para atravessar esse momento. “Ficamos satisfeitos ao ver a administração reduzir a projeção de investimentos para 2020 para R$ 1,6 bilhão e ver espaço para menos ainda. O setor carece de catalisadores e o lucro deve permanecer pressionado nesse ínterim, mas vemos valor de longo prazo na Gerdau”, segundo relatório do BTG Pactual enviado ao mercado, assinado pelos analistas Leonardo Correa e Caio Greiner. A ação da companhia, que chegou a cair 3% durante o pregão de hoje, após o resultado fraco do primeiro trimestre, reduziu a queda para perto do “zero a zero”, com as expectativas de que o pior já passou.

Ainda para preservar caixa neste momento, a Gerdau informou que não irá antecipar o pagamento de dividendos, como faz ao fim de todo trimestre. Até o momento a Gerdau frisou que o pagamento segue em 30% do lucro líquido, mas que a antecipação é facultativa e que a medida está alinhada às outras para manutenção de liquidez.

Werneck disse que a companhia tem se utilizado das medidas possíveis para ajustar sua operação, como redução de jornada e salários, assim como suspensão temporária do contrato de trabalho, férias coletivas e paradas para manutenção, mas disse que não houve demissão. “A gente tem utilizado intensivamente todas as medidas disponíveis”, afirmou.

A retomada, segundo ele, deverá ser gradual, e disse esperar que o setor construção e indústria devem apresentar retomada nos próximos meses, o que pode ter um impulso de iniciativas para ajudar a economia. “O cenário é de muitas incertezas e não dá para ter uma projeção mais precisa. No entanto, vemos que nossa empresa está preparada para enfrentar esse período, temos posição de liquidez em caixa confortável”, afirmou.

Contato: fernanda.guimaraes@estadao.com

 

Essa matéria foi publicada dia 06/05/2020 às 15:50:42 no Broadcast.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: