Gestora KPTL encontra defesa de portfólio no setor de “health techs”

Gestora KPTL encontra defesa de portfólio no setor de “health techs”

Fernanda Guimarães

08 de abril de 2020 | 11h25

A gestora de fundos de venture capital, com R$ 1 bilhão sob gestão, a KPTL viu em seus investimentos no setor de “health tech” a proteção de sua carteira durante a atual crise da pandemia do novo coronavírus, que jogou para baixo o preço dos ativos no mercado financeiro. Na carteira, que possui 50 empresas investidas, estão companhias como a Magnamed, especializada em ventilação pulmonar, a Celer, que está fabricando testes rápidos do Covid-19, a Tmed, que atua com equipamentos hospitalares, como leitos, e a Carenet com soluções de telemonitoramento.

“Umas empresas andam mais rápido, outras andam para trás em alguns momentos. Mas você tem uma acomodação melhor de risco e não fica concentrado em nada. Sem dúvida, as Health Techs são ativos muito importantes que temos na carteira”, comenta, ao Broadcast, o presidente da gestora, Renato Ramalho. O nome da KPTL (lê-se Capital, em inglês), foi rebatizado ano passado após a união da A5 Capital Partners e a Inseed.

Das empresas com seus negócios relacionados diretamente à pandemia, a KPTL tem as ajudado a buscar capital e a se relacionar com o governo. “Com a Magnamed, a empresa que é o nosso maior expoente na área de saúde nesse momento, estamos fazendo todo o relacionamento político com governos federal, estadual, municipal. Montamos um comitê de crise e abraçamos as duas principais verticais”, afirma Ramalho.

Os investimentos na área de saúde pela gestora começaram 2007, com uma das linhas de investimentos dos fundos administrados voltadas à área. “Nesta jornada, apoiamos 12 empresas com investimentos de R$ 25 milhões. E para o nosso orgulho, algumas delas estão se mostrando essenciais no enfrentamento à epidemia da Covid-19”, diz.

“Saúde é um mercado grande, e a tecnologia tem trazido diversas soluções mais do que nunca. Com ciências da vida, novas moléculas, novos fármacos. Até coisas mais triviais, como atendimento dentro de clínicas e hospitais até equipamentos que aumentam os volumes de exames. Health é uma vertical grande e que em tecnologia tem obtido uma enorme penetração. Não só no Brasil, mas pela KPTL e grandes gestoras de fundos de venture capital do mundo”, afirma o executivo.

Além do setor de “health tech”, a KPTL tem posições em empresas nas áreas de agro, varejo, mídia, marketing, educação, Internet das Coisas e tecnologia da informação. A estratégia dos investimentos da gestora, segundo ele, foi sempre buscar empresas pouco queimadoras de caixa, algo bastante valioso no momento de crise, em que as empresas estão correndo atrás de fechar a torneira e preservar o caixa. Hoje, a gestora conseguiu, ainda, concluir a venda de sua participação na startup mineira de otimização de consumo de energia elétrica Viridis Energy para o grupo alemão SMS. O valor do negócio não foi informado.

“Continuamos operando dentro do possível e dando um suporte muito customizado a cada uma das empresas. Pensar melhor o fluxo de caixa, renegociar com fornecedores, bancos. Continuamos fazendo nosso papel de apoiar esse pequeno empreendedor nesse momento”, comenta.

Apesar do atual momento conturbado da economia, Ramalho conta que durante a crise fez um investimentos e que possui R$ 100 milhões em caixa. Nos planos está investir em até 12 companhias até o fim deste ano. (colaborou Luciana Collet)

 

 

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