Gestora testa novo fundo de investimento, voltado a causas trabalhistas

Gestora testa novo fundo de investimento, voltado a causas trabalhistas

Ernani Fagundes

17 de março de 2021 | 05h02

Foto: Estadão

Direitos trabalhistas não são mais de interesse só das partes envolvidas no processo judicial. Surge no mercado brasileiro um potencial interessado em comprar essas brigas. Do alto da experiência que tem com fundos recheados de precatórios alimentícios (R$ 1,2 bilhão sob gestão nesse segmento), a Veritas Capital comprou os direitos de ações trabalhistas em andamento para testar um novo tipo de fundo.

Desconto. Para compor a carteira-teste, a Veritas gastou R$ 10 milhões, ou R$ 12,5 mil por ação, em média. O preço reflete um deságio, que, segundo a gestora, varia de 15% a 20% por ano que perdurar o imbróglio na Justiça.

Treta. A variável na conta é a morosidade da Justiça do Trabalho, que pode levar até 15 anos para definir uma causa. Com o avanço da digitalização dos processos, segundo o sócio e CEO da Veritas Capital, Rodrigo Moratelli, pouco a pouco se tornará possível projetar esse tempo com margem de erro menor. Bem como as chances de ganho de causa. Daí a tentativa de montar um fundo como esse agora.

Ativos. A Veritas também avalia os ativos que dão garantia a cada ação trabalhista que negocia. Mesmo que estejam habilitados em uma massa falida, como ocorre com os direitos adquiridos para o teste.

Para maiores. Com todo o risco envolvido, segundo Moratelli, esse não será um produto para o varejo. Os investidores qualificados que toparem a encrenca terão de conviver com ela por dois ou três anos, que será a carência para resgate do fundo, caso a ideia vingue.

 

Esta reportagem foi publicada no Broadcast+ no dia 16/03 às 8h01.

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